Acolhimento Familiar será tema de Congresso Internacional promovido em Curitiba, de 13 a 15 de agosto

Estão abertas as inscrições para o 3º Congresso Internacional de Acolhimento Familiar, que se realiza de 13 a 15 de agosto, em Curitiba, no Teatro Positivo. Destinado a juízes, promotores, técnicos da Vara da Infância e Juventude, assistentes sociais, psicólogos, conselheiros tutelares, advogados, organizações não governamentais, estudantes e interessados na área, o congresso traz nessa edição renomados especialistas no assunto, do Brasil e do exterior.

Tanto pela profundidade da abordagem do tema, como nível dos palestrantes e quantidade de participantes (são 700 vagas), é considerado o maior e mais importante evento sobre acolhimento familiar no Brasil. Nesta edição, o Congresso apresenta palestras, painéis e oficinas A programação completa está disponível na página do evento http://geracaoamanha.org.br/programacao e as inscrições podem ser feitas pelo link  http://bit.ly/CONGRESSOACOLHIMENTO. O valor da inscrição vai de R$ 350 a R$ 450.

O congresso é promovido pela Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), pelo Conselho de Supervisão dos Juízos da Infância e da Juventude (CONSIJ-PR), Associação dos Magistrados do Paraná (AMAPAR) e Instituto Geração Amanhã (IGA).

O destaque da programação fica por conta da presença dos palestrantes internacionais, os neurocientistas que coordenaram o “Programa de Intervenção Precoce de Bucareste”, pesquisa conhecida como “Órfãos da Romênia”, considerada o maior e mais importante estudo mundial sobre as consequências do abandono e da negligência para o desenvolvimento neurológico das crianças, especialmente na fase da Primeira Infância (até os 6 anos de idade). Estarão presentes os neurocientistas norte-americanos Dr. Charles Nelson (Universidade de Harvard), Dr. Nathan Fox, (Universidade de Maryland) e Dr. Charles Zeanah (Universidade de Tulane). Respeitados e premiados mundialmente, confirmaram cientificamente o que muitos educadores, psicólogos, pais e cuidadores já haviam percebido na prática. Além de traumas psicológicos, o abandono nos primeiros anos de vida pode causar danos graves no desenvolvimento neurológico das crianças.

“O acolhimento familiar ainda é pouco conhecido no Brasil”, explica Sérgio Luiz Kreuz, Juiz Auxiliar da Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, que além de idealizador do congresso é também palestrante. “Embora seja preferencial por lei, ainda temos apenas 5% das crianças acolhidas nessa modalidade. Por isso, a importância de um evento como esse para conscientizar sobre a importância do acolhimento familiar como forma de promover a convivência familiar e comunitária”. No Brasil, a maior parte das crianças e adolescentes em situação de risco está em acolhimento institucional, no que conhecemos como abrigo e casas-lares. Kreuz é hoje o juiz com maior experiência nessa modalidade de acolhimento: foi fundador e coordenador até 2016 do Serviço de Acolhimento Familiar da cidade de Cascavel (PR), o maior do país.

“Precisamos levar o tema do acolhimento familiar para uma discussão mais ampla”, afirma Sandra Sobral, palestrante do congresso e Presidente do Instituto Geração Amanhã, organização sem fins lucrativos que é uma das realizadoras do evento e tem o acolhimento familiar e a adoção como foco de trabalho. “Para mudar realidades, precisamos de informação e conscientização. Mudar a realidade das crianças acolhidas é promover uma sociedade mais justa, segura e humana”, completa.

A programação deste ano é bastante ampla e diversificada. A coordenadora do serviço de Cascavel, a assistente social e professora Neusa Cerutti, compartilha a rica experiência sobre acolhimento familiar e também o trabalho de capacitação com famílias acolhedoras. Outro nome de peso na área é Jane Valente, assistente social, doutora em serviço social e coordenadora do Plano da Primeira Infância de Campinas (SP), que vai abordar as metodologias do serviço como política pública. A autora de 13 livros e doutora em psicologia, Lídia Weber, também é presença confirmada, com sua fala comovente sobre o poder do vínculo e do afeto.

Uma novidade deste ano é a apresentação de experiências em acolhimento familiar de vários Estados, para dar noção dos desafios e como cada serviço tem características locais. O congresso vai mostrar serviços de acolhimento familiar em Cascavel (PR), Uberlândia (MG), Santo Ângelo (RS), São Bento do Sul (RS), Camapuã (MS) e Porto Velho (RO).

O papel do Ministério Público na fiscalização dos serviços de acolhimento familiar é o tema da palestra do promotor de justiça da Promotoria da Infância e Juventude de Cascavel, Luciano Machado de Souza. E o advogado e coordenador do Programa Prioridade Absoluta do Instituto Alana, Pedro Hartung, fala sobre uma Justiça acessível, amigável e sensível à Primeira Infância em casos de suspensão ou destituição do poder familiar.

No último dia, 15 de agosto, serão promovidas cinco oficinas – cada participante, pode participar de um tema, escolhido na inscrição. Temas:

OFICINA 1 – “Tecendo a Rede de Proteção”, por Maira Cabreira, Psicóloga – Gerente da Divisão de Proteção Social Especial – Seaso/Cascavel Professora no curso de Psicologia – Cascavel/PR

OFICINA 2 – “Gestão Orçamentária e Financeira dos Serviços de Acolhimento Familiar” , por Hudson Marcio Moreschi Junior, Secretário de Assistência Social da Seaso – Cascavel/PR

OFICINA 3 – “Fortalecendo vínculos, ressignificando a vida: prevenção ao suicídio de crianças e adolescentes”, por Rosa Maria Mesquita, Psicóloga – Fortaleza/CE

OFICINA 4 – “O trabalho da equipe do serviço auxiliar da infância: a preparação para adoção de crianças e adolescentes no acolhimento familiar”, por Christiane Pilch Pacini, Psicóloga do Tribunal de Justiça do Paraná – Cascavel/PR

O QUE É ACOLHIMENTO FAMILIAR

O acolhimento familiar é uma medida protetiva, temporária e excepcional, prevista em lei pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Trata-se de uma alternativa ao acolhimento institucional (abrigos e casas lares) para crianças e adolescentes em situação de risco social que foram afastados de suas famílias de origem por decisão judicial. Caracteriza-se pela transferência temporária dos direitos e deveres parentais dos pais biológicos para uma família acolhedora, previamente cadastrada, selecionada e vinculada a um serviço de acolhimento familiar.

O acolhimento familiar é regulamentado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e é prioritário por lei ao acolhimento institucional, desde 2009. Embora seja amplamente difundido nos Estados Unidos e Europa, ainda é pouco conhecido e aplicado no Brasil.

SERVIÇO
3º Congresso Internacional de Acolhimento Familiar

Data: de 13 a 15 de agosto de 2019
Local: Teatro Positivo Pequeno Auditório (R Prof. Viriato Parigot de Souza, 5300, estacionamento 8), Curitiba, PR

 

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