Reportagens
Reggio Emilia, um relato de viagem
Reggio Emilia, um relato de viagem
Gustavo Amora[1]
Entendendo Reggio
Reggio Emilia é uma cidade de 168 mil habitantes localizada na região da Emília Romana, no norte da Itália. Reggio surgiu no cenário internacional a partir do momento que se percebeu que lá havia se constituído um modelo de referencia mundial em termos de cuidados com a primeira infância. Todos os anos pesquisadores, ativistas e lideranças políticas de vários países do mundo visitam Reggio Emilia em busca de referencias sobre o modelo e sobre como aprender com o exemplo da cidade.

Típica rua do centro de Reggio Emilia, uma política de mobilidade urbana que privilegia as bicicletas e amplia a qualidade de vida na cidade
A relevância internacional desta pequena cidade nos mostra que investir na primeira infância é uma forma de se reinventar o futuro de uma cidade e até de um pais. Pouco mais de seis décadas depois do início da reconstrução o resultado é uma cidade que investe 16% do seu orçamento em educação infantil e financia com recursos próprios todo o cuidado com a primeira infância, já que o governo Italiano não repassa recursos para educação infantil.
Este foi o contexto que me inseriu em Reggio, explicarei melhor mais adiante, por enquanto é preciso entender melhor a cidade.
Como começou?
Tudo começou após a derrota da Itália na 2a Guerra Mundial. A população local precisava se lançar na reconstrução da cidade e foram definidas as prioridades no investimento dos poucos recursos disponíveis. Assim surgiu a proposta de se priorizar a educação e o cuidado com as crianças pequenas e o investimento na construção de escolas para estas crianças. Somente na década de 60 é que estas escolas foram municipalizadas, pois até então toda a responsabilidade pela manutenção das escolas era das famílias e da sociedade.
As características mais marcantes do modelo Reggio são reflexo desta história. A valorização da criança como sujeito único e detentor de direitos, assim como da participação das famílias no processo educativo e no compartilhamento de responsabilidades sobre a escola, a pesquisa pedagógica e a prioridade no investimento de recursos a nível municipal são exemplos de valores construídos ao longo de décadas de prioridade para a primeira infância.
Um dos segredos de Reggio Emilia é que lá há espaço para experimentação, ou seja, para errar e acertar, mas tudo é acompanhado por muita pesquisa pedagógica para aprender com os erros e compartilhar os acertos.
Uma das constatações mais marcantes sobre estas escolas é que não existem barreiras para as crianças, todos os ambientes são abertos e não existem lugares proibidos, todo o prédio é arquitetado para dar acesso as crianças e todos os funcionários tem contato com as crianças em um mesmo nível. É possível para as crianças entrarem na cozinha e lá são desenvolvidas atividades para conhecer os alimentos, brincar e preparar alguma receita. Há muita musica e instrumentos para serem tocados e decifrados pelas crianças, não existe um roteiro fixo de atividades e sempre há espaço para invenção de alguma atividade. Os pais são sempre bem vindos, mas não como inspetores de qualidade, mas sim como participantes do processo de crescimento e desenvolvimento das crianças.
O espaço criativo das crianças é compartilhado de modo que elas se percebam valorizadas tanto na sua individualidade como naquilo que constroem coletivamente nos trabalhos em grupo. Este estímulo é fundamental para que as crianças desenvolvam um senso de coletividade e cooperação, assim como o seu papel e sua importância como indivíduos. Em relação aos professores, não existe a figura do professor responsável, todos compartilham a responsabilidade, o aprendizado e a reflexão sobre tudo o que ocorre com as crianças. A família participa de vários momentos do processo educacional, desde o compartilhamento dos trabalhos das crianças, que são publicados e divulgados dentro e fora da escola buscando registrar e despertar o interesse da família sobre as crianças até a participação em debates sobre o investimento de recursos na educação infantil e a importância de se priorizar a primeira infância.
Reggio hoje: imigração, crise econômica e crescimento do fascismo. Reggio Emilia em perigo?
Nos dias atuais, a cidade de Reggio Emilia alcançou um dos melhores indicadores econômicos da Itália, inclusive quando comparada dentro da região norte, que é a mais rica do país. A economia impulsionada pela indústria é uma das que possui as menores taxas de desemprego do país e da região norte, assim como possui uma das maiores taxas de emprego feminino do país. Entretanto, no plano político e econômico, o governo local vem enfrentando desafios crescentes. Por um lado há o crescimento da corrente de extrema direita. As eleições de 2010 foram marcadas por taxas de abstenção muito altas e resultados que fortaleceram os partidos de extrema direita como a Lega Nord, que possui uma plataforma separatista e antiimigração. Nas últimas eleições, eles se tornaram o terceiro maior partido do país e a principal força do norte da Itália.
Se partirmos da hipótese de que o continente Europeu construiu a segunda guerra mundial em torno da tentativa de algumas economias centrais em exportar a divisão internacional do trabalho para os países enfraquecidos com a primeira guerra. E se, além disso, acrescentarmos o ingresso dos imigrantes e a internalização de processos econômicos perversos que antes eram exportados para colônias ou economias satélites, é possível perceber que o cenário de radicalização da política européia e, principalmente, Italiana, é uma tendência, e que poderá afetar os investimentos na primeira infância.
Investimento na Infância e Imigração
O investimento na infância é um exemplo de uma característica redistributiva da política Italiana que mais incomoda os grupos antiimigração. O fato é que a base da pirâmide etária Italiana é composta por uma quantidade muito maior de imigrantes do que o topo, resultado de correntes migratórias iniciadas nas últimas décadas e que representam o fluxo de 35 mil imigrantes nos últimos vinte anos. Isto significa que 22,7% das crianças até seis anos não possuem cidadania italiana. Por outro lado, na visão do cidadão italiano comum, e que nas últimas eleições passou a votar na extrema direita, é o mesmo que: Italianos pagam impostos para financiar a educação infantil de imigrantes.
O cenário econômico Italiano não é favorável, e ainda que o país não esteja numa situação grave como Irlanda e Grécia, a redução na arrecadação dos municípios tem sido muito forte, principalmente daqueles municípios que se beneficiam da indústria automobilística.
Baseados nestes argumentos e no crescimento da hostilidade contra os imigrantes é que a extrema direita começa a atacar as políticas redistributivas e o investimento na educação infantil. Por outro lado, Reggio vem experimentando uma diminuição nas matrículas de imigrantes nos centros de atendimento. Ainda que o valor das mensalidades pagas seja subsidiado e proporcional à renda familiar, algumas famílias estão deixando de levar suas crianças para os centros, e em função do desemprego, acabam cuidando de suas crianças em casa.
A taxa de escolarização das crianças até seis anos em Reggio é de 40,6%, na pré-escola é de 80%. Por outro lado, esta taxa de matrículas na pré-escola já foi de 95%, e a diminuição das matrículas está concentrada no contingente imigrante. Para o ano de 2010, a redução na arrecadação vai representar uma diminuição considerável na quantidade de creches e pré-escolas previstas para serem construídas.
Neste momento de crise é que a força da comunidade de Reggio Emilia e a inserção do município no cenário internacional se fazem valer. Ainda que o modelo de Reggio fosse algo intocável até tempos recentes, politicamente, a extrema direita vê o modelo como um exemplo do que deve ser atacado em função do seu caráter redistributivo e inclusivo.
A comunidade de Reggio tem se mobilizado para defender o modelo. Além disso, a lógica de participação da família e da comunidade no processo educativo faz com que as pessoas também estejam envolvidas nesta discussão sobre a continuidade do modelo. Neste momento, uma das premissas do modelo se mostra decisiva para sua manutenção, trata-se do conceito da criança como sujeito de direitos único e indivisível, ou seja, independentemente do seu local de nascimento, origem étnico-racial, toda criança tem direito a um atendimento de qualidade e que valorize suas peculiaridades e o seu protagonismo.
Lições importantes sobre Reggio Emilia
Reggio Emilia é o exemplo de uma abordagem surgida da pesquisa pedagógica baseada na prática educacional. Neste sentido, os desafios que a teoria propõe podem ser avaliados a partir da realidade e as barreiras colocadas pela realidade podem sempre ser re/pensadas a partir da reflexão pedagógica e das pesquisas constantes. Neste sentido, é difícil imaginar sucesso na simples cópia do modelo Reggio, isto porque ele está constantemente se reinventando
Líderes Globais pela Primeira Infância
Entre os dias 13 e 15 de setembro, o World Forum Foundation – WFF, organização americana que organiza o Fórum Mundial de Educação e Primeira Infância decidiu reunir em Reggio Emilia um grupo de lideranças internacionais que trabalham com a temática da primeira infância, os líderes globais pela primeira infância. O local escolhido foi o Centro Internacional Loris Malaguzzi, um centro dedicado à pesquisa pedagógica e a memória do modelo Reggio Emilia. O projeto da turma de 2009 do Global Leaders começou quando Vera Melis indicou eu (representando a Secretaria Executiva da RNPI) e Maria Thereza Marcílio (representando a Avante de Salvador) para representar o Brasil no projeto dos líderes globais pela primeira infância que ocorreu em Belfast – Irlanda do Norte em 2009.
Em Belfast nós participamos do Fórum Mundial e de um curso sobre advocacy que eles ofereceram aos líderes globais. Ao final do curso, nos comprometemos a desenvolver um projeto relacionado a Advocacy para a primeira Infância no Brasil. Ao longo do ano, organizamos uma publicação de artigos sobre Advocacy para a primeira infância em parceria com o Instituto C&A. Os três dias em Reggio foram o momento para os líderes globais pela primeira infância se reunirem para compartilhar suas experiências de Advocacy para a primeira infância em seus países.
Resumo dos projetos apresentados
Youssef Najar, consultor do World Forum Foundation elaborou um interessante resumo sobre os projetos apresentados durante os três dias. Tomo a liberdade de traduzir o texto e ilustrar com fotos que eu tirei durante estes dias.
“ É um importante conjunto de ações sendo desenvolvidas em prol da Primeira Infância sobre as agendas nacionais. Todas as ações marcadas por avanços concretos, resultado de comprometimento e trabalho de qualdade.”
Youssef dividiu as ações em quatro categorias:
a) Iniciativas focadas em políticas públicas a nível nacional.
- Brasil: ações de advocacy e lobby sobre o Congresso Nacional no Brasil para barrar uma legislação prejudicial para a primeira infância.
- Líbano: ações em busca de uma política nacional pela Primeira Infância. Ativação do processo através de grupos de trabalho especializados envolvendo governo e sociedade civil.
- Polônia: tentativa de criação de ferramentas nacionais para coleta, armazenamento e disseminação de dados sobre a primeira infância.
- Uganda: Criação de uma estrutura de coordenação dos atores da primeira infância.
- Índia: Fortalecimento de uma política nacional pela primeira infância na Índia através da interação entre os níveis federal, estadual e municipal.
b) Iniciativas voltadas pra criação de um movimento para expandir as bases de atores envolvidos na temática da primeira infância.
- Índia: criação de uma plataforma nacional na Índia e o estabelecimento de uma aliança com os profissionais de saúde, no caso a Associação de Pediatras com o objetivo de fazer campanhas e disseminar boas práticas.
- Índia: Articulações com as universidades para mútuo suporte entre acadêmicos e ativistas.
c) Iniciativas para fortalecer a temática do desenvolvimento da primeira infância dentro de comunidades.
- Ilhas Fiji: ampliar a preocupação com a primeira infância na comunidade e no governo a partir da mobilização comunitária.

Analesi Tuicaumia e Milika Waqanisau, líderes globais das Ilhas Fiji apresentaram um projeto de mobilização local em prol da primeira infância
- EUA: educar o setor privado e sensibilizá-lo para a importância de investir na primeira infância. Desenvolvimento de técnicas de captação de recursos a nível local.
d) Fortalecimento e disseminação de boas práticas.
- Holanda: publicação de um livro sobre desenvolvimento cerebral infantil e disseminação dos conteúdos para profissionais da área.
- México: um manual para professores que discute a integração entre a dimensão espiritual ao treinamento na primeira infância.

"Não se pode compartilhar aquilo que não se vivenciou, ser professora é ser eu mesma." Ana Maria Gonzales Garza, México
- México: um manual e uma metodologia de treinamento para ouvir crianças.
- Quênia: disseminação de técnicas de higiene e segurança para crianças de áreas de risco.
- Gana: promoção de meio-ambiente saudável e padrões de saúde para comunidades carentes.

Maggie Kamau-Bird e Janet Mwitiki do Quênia. Elas apresentaram um projeto sobre noções de higiene pessoal e fabricação de sabão caseiro em uma comunidade carente do país.
Projetos para o futuro
Ao final do encontro, os líderes globais sentiram a necessidade de continuar trocando experiências e pensaram na possibilidade de desenvolverem um projeto juntos. Um dos temas que marcaram as apresentações foi a necessidade de se ouvir as crianças, algo que ficou materializado na experiência mexicana de desenvolvimento de uma metodologia de escuta as crianças, assim como na Rede Primeira Infância com sua proposta de um plano nacional no olhar das crianças.
Neste sentido, foi apresentada a proposta de um pequeno documentário intitulado: Escute! A proposta é que cada país se comprometa a registrar imagens com crianças relatando seu cotidiano e sua percepção sobre família, casa, escola, saúde, segurança e temas afins para que possamos montar um relato dos países e transformar isto em um vídeo de curta metragem para ser exibido em eventos e divulgado na Internet.
Estamos ampliando e fortalecendo esta proposta no sentido de envolver uma equipe de documentaristas que poderá fazer os registros de imagens em diversas cidades do Brasil, um vídeo que poderá contribuir para este projeto dos líderes globais assim como servirá para fortalecer a temática da primeira infância no Brasil.
Líderes Globais – América Latina
A próxima edição do Projeto Global Leaders terá foco nas alianças regionais e será constituído um grupo para a América Latina. A idéia é que os líderes formados indiquem pessoas dentro da América Latina e atuem como tutores destes novos grupos.
Saiba mais:
Todas as fotos são de Gustavo Amora, acesse mais imagens sobre Reggio Emilia na página do Flickr da RNPI:
http://www.flickr.com/photos/primeirainfancia
Sobre o projeto Global Leaders:
http://www.worldforumfoundation.org/wf/global_leaders/
Reportagem no site da Avante:
http://www.avante.org.br/noticias.php?cat=N&id=866
Fotos e relato no Blog da Bonnie Neugebauer:
http://www.worldforumfoundation.org/wf/bonnie/advocacy-%E2%80%A2-global-leaders-%E2%80%A2-italy
Relato de Maria Thereza Marcílio sobre Reggio Emilia
Impressões de uma viajante
[1] Cientista Político e Consultor da Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância.
Os Avanços da Mobilização/Agenda da Semana
Avanços da mobilização contra o PL 6755/10 (414/08 no Senado)
Novidades da última semana:
- O Senador Flávio Arns PSDB/PR entrou em contato com Vital Didonet, coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância – RNPI para discutir o projeto de lei de sua autoria. Ele já adiantou que em nenhum momento pretende ser contrário ao pensamento dos especialistas da área e ouviu nosso ponto de vista com bastante compreensão. O objetivo agora é encontrar uma redação para os dispositivos problemáticos que possam resolver as inclarezas do projeto e preservar o sentido da infância e da educação infantil aos cinco anos de idade, ou seja, até um dia antes dos seis anos. Apesar do projeto estar em análise na Câmara, este é um indicativo muito forte para que os Deputados corrijam o projeto de lei, que agora se encontra na Comissão de Educação da Câmara.
Foi agendada uma reunião no Senado Federal no dia 11/05 às 14:00. A RNPI pretende levar uma sugestão de texto para ser avaliada pelo Senador. Esta sugestão será discutida entre os membros da Rede ao longo da segunda-feira.
- Foram distribuídas 1600 cópias da Carta conjunta da Rede Nacional Primeira Infância e ABMP na última sexta-feira. As cartas foram entregues em mãos a todos os participantes do Congresso da ABMP, no Centro de Convenções, em Brasília, na entrada das conferências e mesas redondas. Agradecemos o apoio do Instituto C&A, parceiro do evento, que teve a idéia e acompanhou toda a negociação para que o processo ocorresse da melhor forma possível.
Vital Didonet esteve presente ao evento e conversou com o atual Presidente da Associação, Dr. Eduardo Rezende Melo e com a próxima Presidente, Dra. Helen Sanches (Promotora de Justiça da Infância e da Juventude de Lajes, SC). A Promotora propôs a criação de grupos de trabalho para discutir os desdobramentos de alguns pontos expressos nesta carta.
- Folha de São Paulo e o Correio Braziliense conversaram com a Secretária Executiva nos últimos dias e o resultado já está nas páginas do Correio desta segunda-feira, e nos próximos dias devem sair outras matérias sobre o assunto. Isto vai ampliar fortemente a visibilidade do movimento. Leia a reportagem do Correio por aqui.
- A petição online contra o PL 6755/10 já ultrapassou mais de mil assinaturas, o que significa que o autor do PL, o Relator e o Presidente da Comissão de Educação da Câmara já receberam mais de mil mensagens de apoio a nossa causa. Recomendo a todos/as que acessem a postagem no site sobre o tema e leiam os mais de 100 comentários, há muitos relatos preciosos sobre a importância da educação infantil e do direito de brincar. Parabéns a Federação das Escolas Waldorf pela divulgação da petição em sua Rede. É uma ferramenta de pressão. Precisamos continuar divulgando a petição por e-mail e nos eventos dos quais participamos. Além disso, várias organizações da Rede divulgaram em seus websites a nossa campanha.
- A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPED divulgou uma carta manifestando-se contra ao projeto de lei e conclamando a sociedade a lutar contra a aprovação do PL.
Em resumo, é importante continuar a mobilização em todo o país, em todos os ambientes em que temos possibilidade de estender o debate porque, além de mudar o Projeto de lei, estamos fazendo um belo debate sobre a importância da primeira infância, de preservar as condições da criança viver sua infância, de ter seu espaço de brincadeira, de aprendizagem lúdica, da vivência pedagógica da educação infantil até pelo menos o final do quinto ano de vida. As dificuldades e os riscos estão sendo uma fértil oportunidade de alcançarmos um patamar mais alto na direção de nossos ideais. Mas além de continuar a pressão política, vamos trabalhar na proposição de uma redação adequada dos incisos do Projeto que tratam dessa questão.
Agenda da Semana:
São Paulo: Me Deixem Brincar! No dia 11/05 a Aliança pela Infância e Conpaz convidam a comunidade paulista para participar de um ato público na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo contra a obrigatoriedade o ensino fundamental aos cincos anos de idade.
Pernambuco: No dia 13/05 em Recife, será lançada a Campanha a Criança com Todos os Seus Direitos. Trata-se de um programa para o desenvolvimento integral da primeira infância no Semi-árido de Pernambuco que está sendo conduzido pela Save The Children e parceiros no Estado, como Ligia Cabral, membro da RNPI. Será um momento importante para divulgação da nossa campanha.
Brasília:
- Terça-feira às 14:00 a Rede Nacional Primeira Infância terá uma reunião com o Senador Flávio Arns para discutir o texto da reformulação do Projeto de Lei;
- Quarta-feira, às 15:00, teremos uma reunião com o Presidente da Comissão de Educação e Cultura – CEC da Câmara dos Deputados. Também vão participar da reunião os/as Dep. Fátima Bezerra, Maria do Rosário e Carlos Abicalil, que já aderiram a nossa campanha, assim como outros parlamentares da CEC interessados na discussão. O objetivo da reunião é sensibilizar os parlamentares para a importância da discussão e garantir a realização de uma audiência pública na Comissão para discutir o tema com governo e sociedade.
- Quarta-feira 12/10, às 10:00, haverá uma audiência pública extraordinária na Comissão de Educação Cultura e Esporte do Senado Federal (Ala Senador Alexandre Costa, Plenário 15) para instruir o projeto de lei da câmara 280/09, que dispõe sobre a formação de docentes para atuar na educação básica. Em virtude da nossa campanha, certamente o PL 6775/10 será um tema latente desta audiência onde estarão presentes:
1. Francisco De Sales Gaudêncio - Secretário De Estado De Educação Da Paraíba. (Representante Do Conselho Nacional De Secretários De Educação – Consed);
2. Maria Machado Malta Campos - Pesquisadora Da Fundação Carlos Chagas (Fcc) E Consultora Da Secretaria De Educação Básica – Seb/Mec
3. Heleno Araújo Filho - Secretário De Assuntos Educacionais. Confederação Nacional Dos Trabalhadores Em Educação – Cnte;
4. Carlos Eduardo Sanches - Presidente Da União Nacional Dos Dirigentes Municipais De Educação – Undime E Secretário Municipal De Educação Do Município De Castro/Pr;
5. Fúlvia Rosemberg – Representante Do Movimento Interfóruns De Educação Infantil Do Brasil – Mieib E Especialista Em Ideologia E Educação E Construção Social Da Infância;
6. Maria Do Pilar L. Almeida E Silva - Secretária De Educação Básica – Seb/Mec
Na escolha do colégio, pedagogia em 2º plano
* Matéria do Estadão, enviada por Marilda Duarte.
Pesquisa mostra que pais dão mais valor à infraestrutura física e ao atendimento
Luciana Alvarez – O Estado de S.Paulo
Os coordenadores se esforçam para apresentar detalhadamente os projetos pedagógicos de suas escolas em reuniões e palestras, mas na hora da escolha, os pais não percebem as diferenças entre os vários discursos. Eles levam em conta mesmo se os banheiros são limpos, se as salas de aula estão organizadas, a cordialidade de quem os atendeu ao telefone e, é claro, a classificação no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A falha na comunicação entre pais e escolas foi detectada por uma pesquisa qualitativa da Meio Ponto, empresa de estudos educacionais. Em 2009, foram ouvidos diretores e coordenadores de 16 escolas paulistanas de elite. Em janeiro deste ano, foram entrevistadas oito famílias que escolheram agora uma nova escola.
“O mais importante para os pais são as informações visuais, como conservação, organização, aparência dos funcionário”, afirma a educadora Renata Rubano, autora da pesquisa. “A escolha nunca tem como base a proposta pedagógica. A metodologia de cada colégio fica indiferenciada.”
O estudo mostrou que os representantes dos colégios não gostam quando os pais aparecem com listas de itens predeterminados, mas também não conseguem se fazer compreender. “Os rótulos pedagógicos atrapalham o entendimento”, diz Renata.
Angustia. Todos os pais entrevistados relataram que o período de escolha é angustiante. “Eles querem a escola perfeita e buscam uma escola para toda a vida, para não precisar mais se preocupar com isso”, diz a pesquisadora. Mas a escolha não deve ser definitiva.
Ivone Neuber, mãe de gêmeos de 11 anos, não precisou nem sequer de um ano letivo para perceber que havia feito a opção errada. Na semana passada, antes de completar três meses de aula, transferiu Rodrigo para a Escola Viva, onde Thomaz já estudava.
“Eles são diferentes, achei que se dariam bem em lugares diferentes”, conta a mãe. Mas uma das escolas, apesar da ótima fama, não tinha um perfil que combinava com a família.
Os pais planejavam uma viagem na Páscoa para as cidades históricas de Minas Gerais, mas a quantidade de trabalhos e conteúdo para estudar era tão grande que o passeio teria de ser cancelado. “Achei demais para um menino de apenas 11 anos”, diz Ivone. “O Rodrigo estava angustiado com tanta cobrança e me perguntei se a gente queria mesmo aquilo.” A resposta foi “não”.
Os pais já haviam decidido tirar Rodrigo e Thomaz da escola anterior, em período integral, para suavizar o ritmo dos meninos.
Perfil. A tradição, a fama, a localização são os fatores que mais acabam pesando na hora da escolha. Em meio a tantas opções de escolas, muitos pais se esquecem de perguntar que tipo de valores eles esperam do colégio.
“Não basta saber se tem artes na escola. Tem de perguntar como a arte é vista; que tipo de arte se estuda; se a abordagem é o ensino da técnica ou o desenvolvimento da criatividade”, afirma Renata.
Os pais também tem de levar em consideração os desejos e características dos filhos. “Quem escolhe é o pai, mas a gente vai trabalhar com o aluno”, afirma o diretor da escola Hugo Sarmento, João Mendes de Almeida.
Segundo ele, cada vez mais os pais têm a responsabilidade sobre o tipo de educação que recebem as crianças. “Antes, até existia aquela escola que dizia que ela é que sabia o que era bom para o aluno e pronto, não aceitava questionamento. Hoje não dá mais”, diz.
Internet. Em meio a um período de tantas dúvidas, os sites das escolas estão sendo usados como ferramentas que ajudam na decisão. Antes mesmo de visitar, os pais podem acompanhar a rotina escolar, saber que tipo de atividades são feitas e quais os resultados delas.
“Hoje todo mundo entra nos sites várias vezes”, diz Renata. O atendimento que os pais recebem desde o primeiro contato também é fundamental. “Se prometem ligar e não ligam, a escola acaba descartada.”
DICAS
Refletir
Os pais precisam saber o que desejam para seus filhos, que tipo de aprendizagem eles valorizam em uma escola. Não adianta um pai liberal colocar o filho em uma escola com regras muito rígidas
Conhecer o filho
Cada filho tem uma personalidade; os pais precisam reconhecer as necessidades da criança para saber que tipo de escola é mais adequada para o perfil dela
Perguntar
Ao visitar uma escola, os pais devem perguntar “como” e “por que” as coisas são feitas daquela forma. Às vezes, só a aparência pode dar a ideia errada
Baixar a expectativa
O melhor é reconhecer logo de início que não existe escola perfeita; isso diminui a pressão da escolha
Escolher sempre
Nenhuma escolha é definitiva e a escola tem de ser sempre reavaliada. Nem sempre a melhor opção no maternal vai ser a melhor também no ensino médio
Fonte:
Estadao.com.br
29 de março de 2010 | 0h 00


