Coronavírus: variante faz casos graves em crianças aumentarem no Brasil

Desde o início da pandemia, 8.774 crianças de zero a cinco anos já foram hospitalizadas em estado grave por Covid-19, no Brasil. Desse total, 1.208 crianças foram internadas agora em 2021

 

Na Europa, variantes do novo coronavírus fizeram aumentar os casos graves e óbitos por Covid-19 em crianças. No Brasil, não foi diferente: os casos e mortes pela doença dispararam.

Segundo os boletins epidemiológicos da Covid-19, divulgados pelo Ministério da Saúde, desde o início da pandemia, 8.774 crianças de zero a cinco anos já foram hospitalizadas em estado grave por Covid-19, no Brasil. Desse total, 1.208 crianças foram internadas em janeiro e fevereiro de 2021.

Os dados levam em consideração o boletim 44, último de 2020, e o boletim 52, o mais recente de 2021, com dados que vão até 27 de fevereiro.

A média de pacientes pediátricos internados infectados pelo novo coronavírus desde março de 2020 no Hospital Israelita Albert Einstein é de 6 pessoas. O maior pico aconteceu em janeiro, data que coincide com as festas de fim de ano, com 14 casos. Em fevereiro, foram admitidos 8 pacientes com Covid-19.

No Sabará Hospital Infantil, pelo menos três crianças têm sido diagnosticadas com Covid-19 por dia. No mês de janeiro, o pico de internações chegou a 22%. O número é o maior desde o ínicio da pandemia.

A taxa de internação neste primeiro bimestre foi de 18%, superando o acumulado do ano anterior que registrou 13%. Na distribuição por faixa etária, 68% dos pacientes têm entre 1 e 10 anos, com 18% menores de um ano e 14% maiores de 10 anos.

Já nos hospitais públicos, a taxa de ocupação ultrapassa os 80%. O Hospital Municipal Infantil Menino Jesus registrou um aumento de 56,63% nas internações, enquanto o Hospital Municipal da Criança e do Adolescente teve aumento de 86,41%. Já o Hospital Infantil Cândido Fontoura ultrapassou a marca de 76,5% de taxa de ocupação de leitos.

Um dos motivos que pode ter influenciado essa alta é a circulação das novas variantes do vírus, aponta a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). De acordo com a médica, desde o final do ano passado, a Europa como um todo, mas principalmente o Reino Unido, já havia registrado uma alta no número de casos graves em crianças.

Uma pesquisa realizada pelas faculdades de Medicina e de Odontologia da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, identificou que a proteína spike, da nova cepa viral, estabelece maior força de interação molecular com o receptor ACE2, presente na superfície das células humanas e com o qual o SARS-CoV-2 se liga para viabilizar a infecção.

Segundo os pesquisadores, o aumento na força de interação molecular da nova linhagem é causado por uma mutação já identificada no resíduo de aminoácido 501 da proteína spike do SARS-CoV-2, chamada de N501Y, que deu origem à nova variante do vírus.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor

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