Criança Segura alerta para o perigo dos acidentes com armas de fogo

Com apenas três anos, os pequenos já conseguem puxar o gatilho de revólveres

Quase todos os tiros fatais acidentais que atingem crianças ocorrem em casa ou na vizinhança. A maioria dessas mortes envolve armas guardadas carregadas e acessíveis para os pequenos. Todos os anos no Brasil, cerca de 20 crianças morrem e 150 são hospitalizadas vítimas de acidentes com armas de fogo.

O desenvolvimento da criança influencia diretamente para que ela esteja mais exposta a este tipo de acidente. Com três anos de idade, as crianças são fortes o suficiente para puxar o gatilho de muitos revólveres, até oito anos não conseguem distinguir entre armas reais e de brinquedo ou entender completamente as consequências de suas ações e até os dez anos não têm capacidade de julgar os riscos, de saber como segurar uma arma e, consequentemente, seguir regras de segurança.

Números
Em 2013, 28 crianças de zero a 14 anos morreram e, em 2014, 148 foram hospitalizadas vítimas de acidentes com armas de fogo. Segundo a ONG Viva Rio, no Brasil, os acidentes são a principal causa de internação de crianças vítimas das armas de fogo.

Prevenção
Oideal é não possuir armas em casa. Se a profissão do responsável exige o equipamento, algumas medidas podem reduzir os riscos: guardar as armas de fogo descarregadas, travadas e fora do alcance das crianças; guardar as munições em um lugar trancado, separado da arma; manter as armas guardadas com chaves e lacres de combinação escondidos em lugares separados; fazer um curso de uso, manutenção e armazenamento seguro de armas; explicar para a criança porque a arma é guardada dessa forma e que só pode ser utilizada por um adulto.

Os acidentes com armas de fogo e todos os outros
Somados representam a primeira causa de morte e a terceira de hospitalização de crianças de um a 14 anos no Brasil. O acidente é uma séria questão de saúde pública que pode ser solucionada em 90% dos casos com ações de prevenção como a disseminação de informações sobre o tema, mudança de comportamento, políticas públicas que assegurem infraestrutura e ambientes seguros para o lazer, legislação e fiscalização adequadas.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2014, 122.590 crianças foram hospitalizadas vítimas de acidentes e, em 2013, 4.578 morreram. Ao sofrer um acidente grave, a criança pode ter sua vida interrompida ou seu desenvolvimento saudável totalmente comprometido. No mundo, 830 mil crianças morrem, anualmente, vítimas de acidentes segundo o Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes, da OMS (Organização Mundial da Saúde) e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que também relata que milhões de crianças vítimas de acidentes não fatais necessitam de tratamento hospitalar intenso e adquirem sequelas – físicas emocionais e sociais – por toda a vida.

Posicionamento sobre decreto que facilita posse de arma de fogo no Brasil
No dia 15 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que facilita a posse de arma de fogo no país. A Criança Segura – em consonância com diversos especialistas em segurança pública e organizações sociais – lamenta profundamente essa decisão tomada pela Presidência da República. Para nossa organização, essa medida, ao invés de aumentar a segurança da população, colocará ainda mais a vida de todos os cidadãos em risco, em especial de crianças e adolescentes.

No Brasil, em 2016, 20 meninas e meninos com idades entre zero e 14 anos morreram e outros 133 foram internados (só no SUS) em razão de disparos acidentais de armas de fogo, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Nos EUA, os dados são ainda mais alarmantes. Segundo matéria publicada pela CNN, o país é o líder mundial de mortes de crianças e adolescentes de um a 19 anos por disparo de arma de fogo. Em 2016, foram registrados 1.865 homicídios de pessoas dessa faixa etária por armas de fogo, 1.102 suicídios e 126 mortes por disparos não intencionais ou indeterminados.

Estudos americanos apontam que estados com legislação mais flexível sobre armas de fogo tiveram duas vezes mais mortes de crianças por disparos do que em estados em que o porte de arma é mais restritivo.

Ao ter uma arma em casa, os adultos entendem perfeitamente o perigo que esse objeto representa e, erroneamente, acreditam que as crianças e adolescentes também compreendem esse risco e, por isso, não irão manusear esse artefato apenas por curiosidade ou diversão. Entretanto, isso não é verdade.

Crianças são naturalmente curiosas, gostam de explorar o ambiente onde estão e vivem no mundo da imaginação. Até os quatro anos de idade, não possuem a capacidade de reconhecer riscos totalmente desenvolvida e acabam se colocando em situações de perigo sem perceber e sem saber como sair delas. Elas também tendem a imitar o comportamento dos adultos em suas brincadeiras. Além disso, muitas pessoas não sabem, mas já aos três anos de idade uma criança tem força suficiente para puxar o gatilho de um revólver.

Dos cinco aos 14 anos, conforme vão crescendo, meninas e meninos começam a passar mais tempo sem a supervisão de um adulto. Nessa fase, crianças e adolescentes desenvolvem um interesse maior por brincadeiras que envolvam mais ação e aventura, sendo assim, acabam testando os limites do perigo e do risco. Além disso, nessa idade, têm a tendência a desafiar uns aos outros para agir perigosamente para serem aceitos no grupo e provarem a coragem.

Todas essas características são graves fatores de risco para pais, familiares e cuidadores quem tem arma em casa. Pois, mesmo que o adulto acredite que ele guarde este artefato muito bem protegido e escondido, a curiosidade da criança ou a vontade de realizar uma atividade perigosa de um adolescente poderá levar a menina ou o menino a se empenhar em encontrar a arma e, ao manuseá-la, poderá causar algum acidente. Exemplos de casos de crianças e adolescentes que encontraram uma arma em casa e acabaram em tragédia não faltam.

O acesso facilitado a armas para os adultos acaba, invariavelmente, tornando o acesso mais facilitado também para crianças e adolescentes, que, por imaturidade e inexperiência, acabam se ferindo ou ferindo pessoas próximas.

Para a Criança Segura, a melhor maneira de evitar um acidente com crianças envolvendo o disparo acidental de uma arma de fogo é muito simples: não tenha uma arma em casa. Além disso, não permita que seu filho ou filha frequente a casa de amigos cujos pais possuem arma.  A prevenção salva vidas.

Por fim, reforçamos nosso pesar e repúdio à medida do presidente Jair Bolsonaro, a qual consideramos imprudente e com grande potencial de agravar ainda mais o já preocupante quadro das mortes por acidentes com crianças e adolescentes no Brasil, sem mencionar as mortes violentas em todas as faixas etárias da população.

A Criança Segura

A Criança Segura é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, dedicada à prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. A organização atua no Brasil desde 2001 e faz parte da rede internacional Safe Kids Worldwide, fundada em 1987, nos Estados Unidos, pelo cirurgião pediatra Martin Eichelberger.

Para cumprir sua missão, desenvolve ações de Políticas Públicas – incentivo ao debate e participação nas discussões sobre leis ligadas à criança, objetivando inserir a causa na agenda e orçamento público; Comunicação – geração de informação e desenvolvimento de campanhas de mídia para alertar e conscientizar a sociedade sobre a causa e Mobilização – cursos à distância, oficinas presenciais e sistematização de conteúdos para potenciais multiplicadores, como profissionais de educação, saúde, trânsito e outros ligados à infância, promovendo a adoção de comportamentos seguros.

A ONG conta com a contribuição de parceiros institucionais, como Johnson & Johnson e parceiros de programas, como Ministério da Saúde, FEDEX, Anglo American, Ace, Ariel, Downy e Portal Rede Social.

Mais informações para Imprensa
Vanessa Machado
comunicacao@criancasegura.org.br
(11) 3371-2364

 

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