A CRIANÇA E O ESPAÇO: A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

Inspire-se - Instituto da Infância

O Instituto da Infância, Ifan, mantém o Programa Parques Infantis em cidade rurais do Ceará há 16 anos. Ao todo, são 11 equipamentos em oito municípios, atendendo a cerca de 20 mil crianças diretamente. A iniciativa faz parte do projeto Infância Rural no Nordeste. A proposta de trabalhar nesses territórios se dá devido às profundas desigualdades que os marcam. O objetivo é tentar influenciar os gestores municipais a incorporarem a iniciativa como política pública promovedora da primeira infância e da infância na comunidade.

Os parques infantis não são apenas equipamentos para a promoção do brincar, mas são construídos no contexto de outras iniciativas do projeto Infância Rural, a fim de promover um impacto realmente transformador. A metodologia usada para que as crianças, as famílias e a gestão pública participem da concepção, implementação, administração e monitoramento tem o efeito de criar uma dinâmica nessas cidades em torno dos direitos da infância. Desde o planejamento, existe participação ativa das crianças. São elas que escolhem os brinquedos, determinam as cores, a forma como querem que os utensílios estejam dispostos. Em paralelo, é feito um trabalho com pais, adolescentes, professores e representantes das religiões locais para explicar o que é o projeto, entender se eles apoiam, dialogar sobre as temáticas importantes a serem tratadas no parque e quais problemas diagnosticam na comunidade.

Os espaços, embora voltados prioritariamente para a primeira infância, se tornam pontos de atração também para todos os grupos na cidade. À noite, são utilizados pelos adultos para jogar dominó ou bola, para dar dois exemplos clássicos. Há casos em que as mães se organizaram para utilizar o parque para fazer exercícios; em outros, as comunidades realizam a exibição de filmes ao ar livre. Existem, no entanto, jogos, brincadeiras e equipamentos ali exclusivos para as crianças até 6 anos. Essas atividades são divididas entre 0 a 3 anos e 3 a 6 anos.

O município, por sua vez, entra com uma contrapartida, o terreno. A instalação do parque, a capacitação para jovens e adultos atuarem junto às crianças nos espaços, as metodologias participativas e de monitoramento ficam por conta do Ifan. A administração e a manutenção do parque são responsabilidade da comunidade, com apoio do município. Os instrutores normalmente são estudantes universitários ou do ensino médio, e profissionais da educação. Tudo o que é importante para as crianças daquela comunidade envolve o espaço. Se há uma campanha de vacinação infantil em curso, por exemplo, o parque se torna instrumento de debate e divulgação; se a escola local quer fazer uma atividade com as famílias e a comunidade, os parques abrigam esses eventos. Há o caso de uma escola que passou a utilizar o parque para dar algumas aulas em sua grade curricular fixa. Outra potencialidade do parque é que ele seja usado por moradores das regiões próximas, onde não há muitas opções de lazer.

Da concepção à entrega, o projeto dos Parques Infantis tenta promover uma ação transformadora da infância, e das relações e interações sociais e intergeracionais que se colocam em cada comunidade específica.

Crianças brincam no balanço. Crianças brincam em praça e muitos adultos se aglomeram em grade de quadra para ver jogo. Parquinho montado por projeto do Instituto da Infância Menino em pé sobre brinquedo de balançar. Crianças rindo sobre brinquedo de balançar.

2016 Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância - Triênio 2015/2017: CECIP - Centro de Criação de Imagem Popular