A CRIANÇA E O ESPAÇO: A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

Inspire-se - Exploradores de Rua

Exploradores de Rua

Fazer das ruas de São Paulo uma extensão da sala de aula, inserindo as crianças na rotina da cidade, é o objetivo do projeto Exploradores de Rua, realizado pelo grupo de estudos em mobilidade apē  desde 2015. A iniciativa trabalha com alunos de escolas municipais com idade entre 4 e 6 anos, levando-os para caminhadas, em que fazem uma observação do espaço aberto pautada por temas que estão sendo abordados no colégio.

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O Exploradores de Rua  surgiu a partir de um convite feito pelo Instituto Tomie Ohtake ao apē. A ideia era que eles organizassem uma atividade com crianças no contexto de um prêmio que se propunha a pensar formas de incluir públicos que normalmente não são levados em consideração pela Arquitetura e o Urbanismo. Hoje, o projeto é tocado pelo apē, sempre em parceria com as comunidades escolares. Quatro escolas já participaram, somando 350 estudantes.

Costuma funcionar assim: o apē é convidado pelos colégios e apresenta o projeto para pais, alunos, professores e diretores. Até que a saída seja realizada, acontecem diversos encontros para organizar, e gerar interesse e confiança. Os professores informam os assuntos que estão trabalhando em sala de aula, e então surgem as ideias temáticas para as saídas. As crianças também participam das conversas, momento usado para debater a cidade e a acessibilidade infantil a ela.

“As condições de mobilidade não existem para adultos, muito menos para crianças. O meio fio é alto para todo mundo. As calçadas e praças não têm lugar para parar e aproveitar o tempo, e quase não existem bancos para as pessoas sentarem. Precisamos criar acessibilidade e adaptação para todos. A gente senta no gramado com as crianças, mas é raro ver adultos fazendo isso. Trabalhar a mobilidade infantil é chamar atenção para as necessidades da cidade para todos”, define Carolina Barreiros, integrante do apē .

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De cada caminhada, participam entre dez e 15 crianças, para que os adultos (no mínimo, dois) sejam capazes de cuidar e dar atenção a cada uma. As saídas são sempre momentos de troca intensa de impressões, conversas e questionamentos entre as próprias crianças e com os supervisores.

O nome do projeto é uma forma de incentivar, ludicamente, o interesse dos alunos. Dependendo do tema da saída, eles levam saquinhos para coletar itens como pedrinhas, folhas e flores, e levam lupas e binóculos. Atentos e curiosos, tornam-se verdadeiros exploradores de tudo o que está ao redor. E costumam atrair todos os olhares:

“Quando andamos com os alunos, a rua muda. As pessoas ficam espantadas de ver dez crianças ali. Tornam-se cuidadosas, querem interagir, mobilizam-se em torno dos pequenos”, conta Carolina, para completar: “Sinto que é um trabalho importante para crianças e adultos. A criança percebe muito o comportamento do adulto e tende a reproduzir o medo e a preocupação de estar na rua, quando, na verdade, a vivência ao ar livre é muito natural para elas. O que buscamos é não bloquear isso. Tem sido muito importante a criação deste senso de comunidade perto das escolas, da possibilidade de usar a cidade sem medo”.

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As saídas duram de 30 minutos a uma hora. Os trajetos costumam ser planejados, para que os instrutores possam fazer o estudo de acessibilidade antes, checando as condições de calçadas e cruzamentos, por exemplo. Mas nada é muito engessado, para que as crianças tenham nas caminhadas a experiência do que deve ser a vivência nas ruas das cidades: flexível.

“As pessoas costumam andar muito rápido, para chegar aos lugares. Perde-se o componente humano, a possibilidade do encontro”, lamenta Carolina.

Trabalhando no campo da educação, espaço de modelagem de hábitos e costumes, é exatamente isso que o Exploradores de Rua tem tentado resgatar pelas vias de São Paulo.

2016 Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância - Triênio 2015/2017: CECIP - Centro de Criação de Imagem Popular