A CRIANÇA E O ESPAÇO: A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

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Associação Comunitária Monte Azul

A imagem do agricultor responsável pelo desenvolvimento integral das sementes cultivadas é a que guia a forma como a Associação Comunitária Monte Azul orienta seu trabalho com 450 crianças da periferia de São Paulo. A organização, fundada há 37 anos pela pedagoga alemã Ute Craemer, mantém hoje três creches distribuídas nas comunidades de Monte Azul e Horizonte Azul, onde a pedagogia que rege o trabalho é a Waldorf. Esta abordagem pensa o indivíduo de maneira holística – corpo, alma e espírito –, e divide seu desenvolvimento em três períodos de sete anos, de 0 a 21. Na fase que vai de 0 a 7 anos, deve-se incentivar a aprendizagem através do fazer e do momento do brincar, com foco no desenvolvimento da experiência corporal. É assim que, cercadas de elementos da natureza, as crianças apreendem valores como a colaboração, que são orientadores para a vida.

Dentro de cada sala de aula, há uma pequena cozinha, com fogão e pia, onde os pequenos aprendem desde cedo a ter intimidade com a comida saudável. Nesses espaços, elas ajudam os educadores a fazer pães, biscoitos, saladas de frutas e bolos. Outra atividade colaborativa é a de produção e conserto de brinquedos – todos feitos de materiais orgânicos, como bonecos de pano e lã. As atividades não são impostas, e todas são orientadas de maneira lúdica, de maneira a diferenciar a colaboração da obrigação.

Praticamente, não há elementos de plástico à disposição das crianças, que também brincam com sementes, conchas, pequenas pedras e tocos que ficam em cestas de palha. No mobiliário interno e externo, há pequenos escorregas e peças maiores de madeira como casinhas e carros onde os alunos podem entrar e se divertir – meninas e meninos. A ideia é deixar a brincadeira fluir livremente, sem grandes orientações.

Do lado de fora, o espaço é bem aproveitado, com árvores, flores, gramados, terra e areia. Na unidade onde o terreno é mais inclinado, as crianças podem escorregar “morro” abaixo, divertindo-se ao rolar no gramado e na terra. As professoras também incentivam que os pequenos ponham suas “mãozinhas na massa”, plantando flores e ajudando a recolher folhas secas caídas no terreno.

Os ingredientes para as refeições das crianças vêm de uma família de agricultores da região. A alimentação é a mais orgânica e integral possível. As pequenas cozinhas presentes em cada sala de aula são apenas para incentivo à intimidade com a produção de alimentos saudáveis: as refeições das crianças são preparadas por profissionais especializados nas cozinhas maiores.

Os alunos ficam nas creches das 7 h às 17 h, e as unidades são conveniadas com a Prefeitura de São Paulo. Toda a grade horária é pensada para intercalar momentos de agitação e quietude nos alunos. Por exemplo, de uma brincadeira animada, eles são convidados a participar de uma roda rítmica. Mas entre um e outro, são convidados a ajudar os educadores a guardar os brinquedos e, assim, aprendem que cada coisa tem seu lugar, e que o brincar inclui o arrumar.

 

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2016 Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância - Triênio 2015/2017: CECIP - Centro de Criação de Imagem Popular