A CRIANÇA E O ESPAÇO: A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

Inspire-se - Olhe o Degrau

Olhe o Degrau – Jardim Ângela

Identificar, escutar e transformar. Estas são três palavras que bem definem o projeto Olhe o Degrau – Jardim Ângela, que aconteceu no distrito de mesmo nome na Zona Sul de São Paulo nos anos de 2015 e 2016. A partir da parceria entre a organização Cidade Ativa e o Instituto Cidade em Movimento (IVM), alunos de todas as idades da Escola Estadual Oscar Pereira Machado puderam dizer e ver concretizadas mudanças que desejavam para a escadaria que fica em frente ao colégio. O lugar, até então, era considerado degradado e violento, mas, após as intervenções, passou a ser ocupado por adultos e crianças para atividades de lazer.

Desde 2014, a Cidade Ativa realiza estudos sobre mobilidade e saúde, e estava empenhado em colaborativamente mapear as escadarias de São Paulo, a fim de pensar melhor uso e apropriação desses locais por parte da população. Esta iniciativa, que recebeu o nome de Olhe o Degrau, teve uma edição piloto em que promoveu intervenções numa escadaria em Pinheiros e foi consagrada com o Prêmio Mobilidade Minuto, do IVM.

Em seguida, veio o convite para integrar o estudo Passagens Jardim Ângela, do mesmo IVM e que propõe uma abordagem multidisciplinar do território, integrando a comunidade no mapeamento de passagens tradicionais e elaboração de propostas de melhoria da mobilidade local. Assim, além da Cidade Ativa, fazem parte do grupo de trabalho liderado pelo IVM no bairro a arquiteta e urbanista Irene Quintáns, que desenvolveu estudos de mobilidade de jovens e crianças nos caminhos para as escolas; professores e alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Mackenzie, que abordaram território e ocupação; e as produtoras de vídeo Cavalo Marinho e Instituto Favela da Paz, sob a coordenação de Camille Bianchi.

Assim, portanto, surgiu o Olhe o Degrau – Jardim Ângela. No levantamento das escadarias do bairro, foram identificados 14 escadões, dos quais quatro tiveram suas dinâmicas de uso analisadas profundamente. Foram observadas quantas pessoas em média passavam por esses locais, os usos que faziam deles e as condições em que se encontravam. A escadaria em frente à Escola Estadual Oscar Pereira Machado era a que mais tinha movimento e foi escolhida para passar por um processo de requalificação. Mas não sem antes ouvir a comunidade.

Por estar localizada em frente a um colégio, escutar o que as crianças tinham a dizer sobre aquele espaço foi fundamental. Assim, a Cidade Ativa organizou durante um sábado de 2015 a oficina Escadão dos Sonhos. Neste processo, os estudantes inscritos no programa Escola da Família puderam expressar, por meio de atividades lúdicas, aquilo que desejavam para a escadaria em questão.

O local foi decorado por voluntários, alunos e moradores, o que deu um clima festivo para a programação. Entre as dinâmicas para incentivar a participação infantil, estavam a oficina “Janela do Futuro”, em que as crianças foram convidadas a pintar, em papéis espelhados pelas paredes do escadão, como elas imaginavam o lugar visto por uma janela mágica; a instalação dos painéis interativos, para as pessoas votarem nas soluções mais desejadas; e a identificação, numa maquete, de elementos necessários para melhorar o espaço e o ponto geográfico onde deveriam ser instalados.

“Este dia funcionou muito bem com as crianças, elas adoraram participar. Coletamos informações sobre quais tipos de atividade as atrairiam para passar mais tempo no escadão. Percebemos que o futebol aparecia o tempo todo nos desenhos que os meninos faziam. Eles queriam tirar os degraus e colocar um campo. A partir disso, propusemos à prefeitura a instalação de uma travessia elevada ligando a rua à escola, para eles poderem jogar bola. Nós nunca teríamos previsto isso, se eles não tivessem dito”, conta Rafaella Basile, coordenadora de projetos e pesquisas da Cidade Ativa.

Outras demandas que surgiram foram a instalação de corrimãos, jardins, bancos e brinquedos. Com estas informações em mãos, a Cidade Ativa elaborou um projeto de requalificação da escadaria. Como parte das mudanças poderiam ser implementadas pela própria comunidade, um segundo fim de semana de atividades foi marcado, desta vez, em junho de 2016, para realizar as intervenções.

Em parceria com GED Inovação, patrocínio da Bayer e apoio de outras organizações que se mobilizaram pela causa, como Ciclo Social Arte, Escola Estadual Oscar Pereira Machado, Grêmio Transformação Jovem, Família Nakamura, Unidos do Macari, Zoom Urbanismo, Arquitetura e DesignIVM, o cinza e o aspecto degradado dos 96 degraus ganharam cores e vida nas mãos dos voluntários que atuaram nos dois dias, sempre com a participação de cerca de cem crianças. Grafites foram feitos nas paredes; três bancos e um escorregador foram instalados, e mosaicos, colocados nos espelhos dos degraus. Com o poder público, o projeto conseguiu a troca da iluminação por LED. Outras demandas, como a instalação dos corrimãos, por exemplo, ainda não foram atendidas.

“Antes das intervenções, nós fizemos medições de base do uso da escadaria e conseguimos comparar com os resultados quando retornamos meses depois. Houve um aumento substancial do uso e permanência no local. As crianças passam tempo lá, a escadaria virou um lugar de brincar. No início, tinha fila. O único espaço de lazer na escola era um campinho de futebol muito detonado, e agora elas ganharam este espaço”, conclui Rafaella.

 

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2016 Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância - Triênio 2015/2017: CECIP - Centro de Criação de Imagem Popular