A CRIANÇA E O ESPAÇO: A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

Inspire-se - Ser Criança é Natural

Ser Criança é Natural

Proporcionar o contato das crianças com a natureza, respeitando seu tempo de descoberta e a espontaneidade infantil que pauta esta interação, é o objetivo do projeto Ser Criança é Natural. Criada em 2014 pela educadora Ana Carol Thomé e pela bióloga e socióloga Rita Mendonça, a iniciativa leva os pequenos de até 6 anos e suas famílias para atividades não direcionadas ao ar livre.

“Em 2011, escrevi minha monografia de final de curso como educadora e descobri que o Brasil é o terceiro país onde as crianças menos brincam na natureza. Isso me impressionou e inspirou para tentar promover alguma mudança”, conta Ana Carol que, em busca de aperfeiçoamento, foi para Londres, na Inglaterra, aprender mais sobre as Escolas da Floresta.

As Escolas da Floresta são instituições de ensino localizadas em áreas de natureza abundante, como grandes parques nas cidades. Lá, as crianças estão ao ar livre o tempo todo e a interação com a natureza é profunda.

“Foi impressionante como encontrei crianças totalmente confiantes de si mesmas, com desenvoltura na linguagem e uma criatividade que eu nunca tinha visto”, comenta, para completar: “Aqui, tudo é motivo para a criança não estar do lado de fora. Se bate um vento, já é justificativa. Lá, a regra é estar ao ar livre, independentemente do clima, apenas adequando as vestimentas”.

De acordo com Ana, como as crianças passam cada vez mais horas nas escolas, esses espaços deveriam promover a experiência do contato infantil com a natureza. Mas diante da falta de investimentos neste sentido, Ana e Rita começaram, em 2014, a promover encontros com as famílias ao ar livre.

Funciona da seguinte forma: acompanhados de dois ou três educadores, os grupos de até 15 famílias se encontram em espaços abertos na Grande São Paulo, interior do estado ou na cidade do Rio. Eles passam aproximadamente duas horas e meia apenas respeitando o ritmo da criança de descoberta do mundo orgânico. Não há atividades direcionadas, só intervenções pontuais, como a oferta de lupas para as mais crescidas explorarem o entorno.

“É preciso ter uma sensibilidade enorme para sentir o ritmo e o tempo da criança, respeitar e entender seu olhar. Os pais costumam vir com expectativas de que vamos fazer muitas atividades, e se surpreendem quando descobrem que nós fazemos aquilo que as crianças nos indicam que querem fazer. Já houve encontros em que a criança passou um tempão apenas jogando terra em cima da folha seca, para ouvir o barulho”, conta Ana Carol.

A interação com os adultos é o maior desafio. Além das expectativas, eles chegam cheios de preocupações sobre as crianças se machucarem ou sujarem. O processo de educação também se dá com os pais, para que entendam a importância de apenas desfrutar daquele tempo com seus filhos.

A demanda por encontros com bebês aumentou consideravelmente e, no segundo semestre de 2016, o Ser Criança é Natural passou a realizar atividades voltadas especificamente para os pequenos de até 20 meses.

Ana Carol explica que as reações dos bebês e dos mais crescidos são bastante diferentes. Enquanto os menores se concentram nas primeiras descobertas, percebendo o entorno com todo o corpo e observando os mínimos detalhes, as crianças maiores apresentam uma percepção do espaço mais estruturada e demandam alguns desafios por parte dos adultos. Um exemplo de provocação feita é entregar sacos para que elas coletem elementos pelos quais se interessem pelo caminho.

O Ser Criança é Natural soma aproximadamente 400 crianças que participaram dos encontros e 30 bebês que estiveram nos eventos exclusivos. A fim de disseminar a filosofia da importância da interação infantil com a natureza, Ana Carol e Rita criaram formações para pais, educadores e pessoas interessadas no tema. Existe um curso online, com duração de um mês. Embora virtual, ele é vivencial, com lições que prevêem saídas ao ar livre. A primeira tarefa é dar uma volta no quarteirão com a criança, identificando os elementos orgânicos.

“Não é preciso estar num lugar de natureza abundante para este contato. Tudo depende do conceito. Quando eu falo em natureza, o que vem à cabeça e se ensina na escola é o verde abundante, mas precisamos descobrir a natureza no nosso entorno”, explica Ana.

Elas também realizam palestras, rodas de conversa e participam de outros espaços coletivos para debater o assunto. Recentemente, criaram uma ação em que famílias de diferentes partes do país se conhecem virtualmente e trocam caixas com itens naturais que têm em sua região, numa dinâmica semelhante a um amigo oculto. É uma forma de fazer as crianças conhecerem cores, cheiros e texturas inéditas e, mais do que trocar elementos orgânicos regionais, enviar e receber afeto.

Além de proporcionar o encontro entre adultos interessados em estar com suas crianças na natureza, o Ser Criança é Natural tem se consolidado como um grande esforço em prol de uma vida mais saudável para os pequenos e toda a família.

 

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2016 Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância - Triênio 2015/2017: CECIP - Centro de Criação de Imagem Popular