A CRIANÇA E O ESPAÇO: A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

Inspire-se

Vozes da Cidade: Crianças e Adolescentes Participando da Construção de Salvador

O que você faria se fosse o prefeito da cidade? Esta foi uma das muitas provocações feitas pela equipe do projeto Vozes da Cidade: Crianças e Adolescentes Participando da Construção de Salvador a pequenos e jovens moradores da capital baiana, na tentativa de viabilizar que eles produzam transformações em suas vidas e no município, reduzindo as desigualdades sociais. No processo de escutas, realizado ao longo de 2015, foram envolvidas cem crianças e 600 adolescentes. A iniciativa é parte do programa Plataforma dos Centros Urbanos (PCU), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que, em Salvador, estabeleceu parceria com a ONG Avante – Educação e Mobilização Social. O projeto também tem apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA) e da Prefeitura Municipal.

A PCU acontece em outras cidades, majoritariamente envolvendo jovens. Em Salvador, no entanto, as crianças de 0 a 12 anos também tiveram protagonismo. Para ouvi-las, foram firmadas parcerias com organizações infantis, como espaços de brincar, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e escolas públicas e privadas. A equipe do projeto buscou instituições que já apresentassem experiências ou pelo menos abertura para tratar do tema da participação infantil.

Com os pequenos de 0 a 6 anos, as sessões de escuta foram divididas para crianças de 1, 4 e 6 anos, uma vez que, para cada idade, a necessidade de uma metodologia específica se coloca. Em geral, as crianças conversavam, contavam histórias, brincavam e desenhavam – inclusive, crianças com autismo –, para expressar como o cotidiano da cidade afeta suas vidas.

Os temas tratados foram segurança, mobilidade, educação, saúde, cultura e lazer. No tema da mobilidade, por exemplo, além da pergunta empoderadora sobre as decisões que tomariam caso fossem prefeitos, os pequenos eram provocados a contar como era o caminho entre suas casas e o local onde estavam: o que viam, do que gostavam, o que queriam que fosse diferente. Uma criança de 5 anos desenhou o ônibus lotado, o ponto cheio e as pessoas com as mãos estendidas pedindo que o veículo parasse, mas ele passava direto…

Longas horas no engarrafamento, medo de assalto e carros estacionados nas calçadas atrapalhando a passagem foram outras questões apontadas no quesito mobilidade, inclusive por crianças de escolas privadas, de famílias de classe média e alta, que costumam usar transporte particular para ir à escola. Para quem anda de ônibus, esse é um passeio legal, porque “dá para ver a cidade do alto”. Mas as condições do veículo também precisam ser agradáveis: enjôos em ônibus cheios foram muito relatados.

Com o processo de escutas encerrado, o Vozes da Cidade está no momento de realização de fóruns nos territórios das dez subprefeituras de Salvador, para apresentar às crianças e adolescentes os resultados das oficinas e do processo de articulação com os técnicos do SGD. A idéia é que o conteúdo possa incidir sobre a elaboração dos planos de diretrizes da cidade. E existe um compromisso firmado pela prefeitura de implementar ações baseadas nos resultados do projeto para combater a desigualdade e oferecer mais possibilidades às crianças e adolescentes de Salvador de terem suas vozes escutadas na cidade onde vivem.

 

inspireSe_VozesCidade_0   inspireSe_VozesCidade_03 inspireSe_VozesCidade_04 inspireSe_VozesCidade_05

2016 Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância - Triênio 2015/2017: CECIP - Centro de Criação de Imagem Popular