Estima-se que prematuridade aumenta em duas vezes a chance de a criança ter o espectro autista

Desde 2011 especialistas estudam a ligação. Um estudo vem sendo preparado para tirar todas as dúvidas sobre o assunto

A enfermeira Sabrina Matos e sua família. A mãe está ao lado de Enzo, hoje com 11 anos que nasceu prematuro e foi diagnosticado com autismo aos nove meses

São Paulo, abril de 2019 – Estudo publicado nos Estados Unidos aponta resultados de um trabalho realizado com bebês prematuros em comparação com os nascidos a termo. Exames de ressonância magnética apontaram que os bebês nascidos entre as 37ª e a 42ª semanas, que é o período normal de gestação, tinham estruturas e conexões em partes do cérebro bem desenvolvidas no momento do nascimento.

Nos prematuros foram observadas menos conexões cerebrais entre o tálamo e o córtex e mais conexões com uma zona particular do córtex que está envolvida no processamento de expressões faciais, mobilidade labial, mandíbula, movimentos da língua e atividades da garganta. Isso explicaria por que em alguns casos os prematuros aprendem a mamar, no peito ou em mamadeira, mais rápido que os nascidos no tempo certo.

Por outro lado, foram detectadas menos conexões com outras áreas do próprio córtex cerebral que podem estar ligadas a distúrbios de concentração e socialização.

Os pesquisadores do King’s College de Londres, na Inglaterra, pretendem ampliar este estudo e estabelecer qual a ligação entre essa diminuição das conexões e os reais problemas de aprendizado, concentração e socialização.

Outro estudo divulgado pela Academia Americana de Pediatria que busca determinar a prevalência do transtorno do espectro autista (TEA), utilizando as classificações do Programa de Observação Diagnóstica do Autismo – Versão Genérica (ADOS-G, na sigla em inglês) em prematuros extremos na primeira infância, o risco é significativamente maior para problemas de neurodesenvolvimento, com tais problemas confirmados em 21 dos 22 casos de diagnóstico positivo de TEA.

No estudo, dois grupos de crianças (2 e 4 anos de idade) foram recrutados por 12 meses, ambos com as crianças nascidas com menos de 29 semanas de gestação, para participarem do teste utilizando o Questionário Modificado para a Triagem do Autismo em Crianças (M-CHAT-FI) com Entrevista de Seguimento, do ADOS-G e de avaliações de desenvolvimento. O ADOS-G foi realizado em crianças com resultados positivos no M-CHAT-FI.

Das 192 crianças estudadas, 22 (13%) apresentaram resultado positivo na triagem e 3 (1,8%) tiveram diagnóstico positivo confirmado com TEA.

Desde 2011, a ONG Prematuridade.com baseada em publicação da Academia Americana de Pediatria recomenda aos pediatras que crianças entre 18 e 24 meses de vida sejam testadas para estes distúrbios ligados ao espectro de autismo, e que encaminhem para avaliação formal as que falharem nesta triagem, embora outras pesquisas recomendem que é melhor aguardar a criança completar 30 meses de idade (2 anos e 6 meses) para realizar os testes, uma vez que o atraso na formação das conexões pode fazer parte do desenvolvimento, sem ocorrência do transtorno.

A relação entre prematuridade e autismo também foi detectada pela enfermeira de Araranguá (SC) após o nascimento de seu segundo filho Enzo, hoje com 11 anos. “Por conta de contrações, precisei fazer uma cesárea de emergência e o Enzo nasceu prematuro, com 36 semanas. Ele ficou internado por dez dias na UTI e recebeu antibioticoterapia por intercorrências no pulmão durante a internação. E, aos noves meses, identificamos os primeiros sinais de autismo, diagnóstico também confirmado pelos médicos”.

Sabrina também é mãe de Isis de 13 anos e Ian com sete anos, seu terceiro filho. Ela conta que durante sua última gestação, ficou 30 dias internada para tentar postergar o nascimento prematuro de Ian para evitar a possibilidade de repetir o quadro do Enzo e outras intercorrências.

Quando recebem o diagnóstico, os pais de crianças autistas passam a ver o mundo de outro ângulo. Surgem novos desafios, muitas dúvidas e necessidades. Desse sentimento nasceu a iniciativa de se unir a outras pessoas que compartilham dos mesmos desafios. “Há alguns meses criamos a Associação Autismo Araranguá, pois sabemos que nossas lutas diárias são as mesmas de outros pais que, assim como eu, enfrentam os desafios do autismo”.

Sabrina finaliza seu depoimento destacando a importância de redobrar os cuidados com a saúde durante a gestação para diminuir a incidência de partos prematuros e possíveis relações com o autismo.

Segundo comenta Aline Hennemann, vice-diretora executiva Prematuridade.com, “nossa missão é promover ações de informação para reduzir a incidência da prematuridade e diminuir os danos à saúde dos bebês, causados pelo nascimento antecipado. Alertar para a necessidade da realização dos testes relacionados ao autismo faz parte da nossa luta”.

Sobre a ONG Prematuridade.com

A ONG Prematuridade.com, Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros, é uma organização sem fins lucrativos, referência sobre o tema “prematuridade” no país. Com mais de três mil famílias associadas e dezenas de voluntários espalhados pelo país, a ONG tem como objetivos a prevenção do parto prematuro, a capacitação de profissionais de saúde ligados à neonatologia e a implementação de políticas públicas relacionadas à prematuridade. A entidade trabalha em parceria com as mais importantes organizações internacionais dedicadas à causa, a March of Dimes e a EFCNI (Fundação Europeia para o Cuidado dos Recém-nascidos), e desde 2014 representa o Brasil na Rede Mundial de Prematuridade (World Prematurity Network). Em 2018, a Associação mobilizou centenas de eventos alusivos ao Dia Mundial da Prematuridade (17 de novembro), envolvendo diretamente mais de 10 mil pessoas em caminhadas, piqueniques, seminários, rodas de conversa, entre outros. Promover sensibilização. Espalhar amor. Inspirar mudanças.

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Alessandra Neris – aleneris@gmail.com – (11) 99104-4938
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