GT Saúde da RNPI se articula e propõe ações sobre epidemia de microcefalia

O Grupo de Trabalho sobre Saúde, da Rede Nacional Primeira Infância, está preocupado e mobilizado a respeito do grande aumento do número de casos de microcefalia no Brasil. Em uma reunião extraordinária, os integrantes do GT traçaram uma estratégia para atuar em benefício das crianças e famílias. Uma das ações previstas é, mantendo-se alinhado às orientações do Ministério da Saúde e ações das Secretarias Estaduais de Saúde, trabalhar em conjunto com as Redes Estaduais Primeira Infância visando fortalecer as organizações estaduais que atuam nessa temática, inclusive as Secretarias Estaduais de Saúde.

Integrantes do grupo participaram de reuniões no Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz, e do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro em busca de informações mais efetivas e mensagens alinhadas com os especialistas que estão trabalhando diretamente com este tema.  E enviaram ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) uma carta em que expressam a preocupação do GT com a epidemia, e a disposição em apoiar as campanhas de combate e prevenção ao Zika Vírus, uma das prováveis causas da epidemia de microcefalia nos bebês.

O GT Saúde é composto pelas seguintes organizações da RNPI: Programa Mãe Coruja Pernambucana, Fundação Amazonas Sustentável, Centro de Estudos Integrados, Infância, Adolescência e Saúde (CEIIAS), Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudável (EBBS), Plan Brasil, Criança Segura, Programa Primeira Infância Melhor (PIM – RS), Visão Mundial, Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas, Fundação José Luiz Egydio Setúbal – Hospital Infantil Sabará, Instituto da Infância (IFAN), Universidade Federal do Ceará, Fundação Abrinq, United Way e Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip).

Como estratégia de comunicação, o GT elegeu disseminar a matéria elaborada pela Fundação Abrinq, que traz uma síntese das recomendações à população em geral, às gestantes, profissionais da saúde e gestores para controlar e prevenir o Zika Vírus, provável agente dos casos de microcefalia.

microcefalia

“Foi divulgado pelo Ministério da Saúde que até 5 de dezembro, foram registrados 1.761 casos suspeitos de microcefalia, em 422 municípios de 14 unidades da federação, liderados por Pernambuco com 804 casos, seguidos por Paraíba (316), Bahia (180), Rio Grande do Norte (106), Sergipe (96), Alagoas (81), Ceará (40), Maranhão (37), Piauí (36), Tocantins (29), Rio de Janeiro (23), Mato Grosso do Sul (9), Goiás (3) e Distrito Federal (1). Também foram informados 19 óbitos notificados de bebês com microcefalia, e suspeita de infecção pelo vírus Zika. Estes casos ainda estão sendo investigados para confirmar a causa dos óbitos.

Esse é o principal problema de saúde pública vivenciado no país neste momento. As investigações buscam agora identificar questões como a transmissão do agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Os estudos e procedimentos ainda estão sendo definidos. Entretanto pela gravidade e quantidade dos casos suspeitos de microcefalia, a Fundação Abrinq, preocupada com a defesa e a garantia de um desenvolvimento saudável para todas as crianças brasileiras, recomenda que todos os gestores públicos das três esferas direcionem os esforços necessários e suficientes para ações imediatas de controle e prevenção do Zika Vírus.

Para enfrentar esse problema, o Governo Federal criou um Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública, de importância Nacional e Internacional que envolve 19 órgãos e entidades. Também foi lançado o Plano Nacional dividido em três eixos de ação:

1. Mobilização e Combate ao Mosquito;
2. Atendimento às Pessoas; e
3. Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa. Essas medidas emergenciais serão colocadas em prática para intensificar as ações de combate ao mosquito.

Para apoiar a sociedade, gestantes, gestores e profissionais de saúde, compilamos as principais recomendações do Ministério da Saúde e dos institutos de pesquisa envolvidos nos processos investigatórios.

Recomendação para a população em geral:

  – Combater criadouros do mosquito Aedes Aegypti na sua rotina diária;
– Realizar vistorias nas residências, tanto dentro da casa quanto em quintais, para eliminar recipientes que possam acumular água parada;
– Pratinhos com vasos de plantas, lixeiras, baldes, ralos, calhas, garrafas, pneus e até brinquedos podem ser os vilões e servir de criadouros para as larvas dos mosquitos;
– Utilizar repelentes de pele;
– Instalar telas de proteção em portas e janelas;
– Manter-se vigilante quanto à limpeza do seu bairro. Se vir um acumulo de lixo ou entulho, ou qualquer recipiente com a larva do mosquito, denuncie aos conselhos de saúde, ou disque saúde 136;
– O Ministério da Saúde lançou a campanha “Sábado da Faxina – Não dê folga para o mosquito da dengue”. Acesse a campanha e participe.

Recomendação para as Gestantes:

– Não consumir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas;
– Não utilizar medicamentos sem orientação médica;
– Evitar contato com pessoas com febre, manchas vermelhas ou infecções;
– Proteger-se de mosquitos com medidas individuais, como manter portas e janelas fechadas, ou teladas, usar calças e camisas de mangas compridas e utilizar repelentes indicados para o período da gestação (atenção às instruções no rótulo) e verifique a nota da ANVISA sobre o uso de repelentes.
– Manter acompanhamento das consultas pré-natal e realizar todos os exames solicitados pelo seu médico.

Recomendação para as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde:

– Acompanhar os estudos, pesquisas, Boletins Epidemiológicos e Protocolos diariamente no Portal do Ministério da Saúde;
– Adotar medidas imediatas para implantação do Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika;
– Identificar e estabelecer em cada unidade da federação serviços de saúde de referência e o fluxo de atendimento aos pacientes;
– Divulgar aos profissionais de saúde definição padronizada de casos suspeitos de microcefalia e orientações para assistência adequada aos pacientes;
– Notificar imediatamente os casos suspeitos por meio do formulário de registro de eventos de saúde pública referente as microcefalias (RESP-Microcefalias) no endereço www.resp.saude.gov.br e no Sinasc, conforme orientação;
– Divulgar para a população, em especial mulheres em idade fértil e as gestantes, medidas de proteção individual, mesmo sem evidências até o momento de relação causal de qualquer enfermidade e agravo prévio;
– Reforçar as ações de prevenção e controle vetorial em áreas urbanas e peri-urbanas, conforme estabelecido nas diretrizes nacionais do Programa Nacional de Controle da Dengue;
– Obter informações atualizadas e adicionais sobre a situação epidemiológica do país por meio do boletim epidemiológico que será divulgado semanalmente e disponível no endereço: www.saude.gov.br/svs.

Recomendação a serviços e profissionais de saúde:

– Realizar ampla divulgação a todas as gestantes e mulheres em idade fértil, com possibilidade de engravidar;
– Atentar-se para o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde e verificar quais são recomendadas para a faixa etária e idade gestacional;
– Lembrar-se que as vacinas têm um período que varia entre 10 dias e 6 semanas, até atingir a proteção esperada, para aplicação com a devida antecedência;
– Informar a gestante sobre o uso de medicamentos com potencial teratogênico;
– Orientar sobre a necessidade de atenção sobre a natureza e a qualidade daquilo que a gestante ingere (água, alimentos, medicamentos), consome ou tem contato e o potencial destes produtos afetarem o desenvolvimento do bebê;
– Alertar em todo o contato com a gestante sobre a necessidade de ela se prevenir da picada de insetos e eliminar possíveis criadouros;
– Tomar as providencias cabíveis em razão de qualquer alteração no estado de saúde da gestante, principalmente no período de até o 4º mês de gestação, ou na persistência de doenças pré-existentes nesta fase;
– Orientar a gestante sobre o uso adequado de repelentes.

(Com informações da Fundação Abrinq)

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