Hospital também é lugar de estudar

“Toda criança tem direito à saúde e à educação. E é nosso dever garantir que esses direitos sejam cumpridos”. Assim Dilma Cupti de Medeiros, gerente do Programa Saúde na Escola Carioca, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, define a motivação para a criação da Classe Escolar no Hospital Souza Aguiar, a maior emergência da América Latina. A iniciativa, que já está presente no Rio de Janeiro no Hospital Municipal Jesus e em hospitais federais, garante que os pequenos não percam aulas e provas no período de internação. E mais: ajuda a manter a rotina, a desenvolver a autonomia e a lembrar que a vida não para.

Alunos da Classe Escolar do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro

Em março, a nova Classe Escolar do Hospital Souza Aguiar atendeu 34 crianças internadas: 24 alunos da rede municipal e 10 de escolas de outros municípios, de colégios estaduais ou da rede privada. Os alunos têm idades variadas, de cinco a 15 anos. Para a professora Karla Bastos, atender a essa diversidade não é um desafio. “A partir das necessidades de cada criança desenvolvemos atividades coletivas e individuais. Algumas aulas são dadas no leito, com pranchetas especiais, tablets e outros recursos lúdicos. A receptividade das crianças é impressionante. As crianças querem estudar. Elas têm esse direito e é nosso dever assegurá-lo”, conta Karla.

Everton Cavalcanti de Souza, de 9 anos, é um dos alunos. Internado por conta de uma fratura no fêmur, o menino permaneceu mais de uma semana no Hospital Souza Aguiar e ainda passaria por um longo período de recuperação em casa, sem poder ir à escola. Para não perder o calendário escolar, continuou estudando com a professora Karla e fez até provas enquanto estava internado.

“Conversando com os professores da Escola Municipal João Camargo e, principalmente, com o Everton, decidimos que seria melhor fazer as provas no hospital mesmo. A decisão foi dele. Essa autonomia é muito importante para o desempenho escolar, para a recuperação da saúde e para a formação deste indivíduo”, avalia a professora, que já deu aulas no Hospital Municipal Jesus e em hospitais federais como o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) e o Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).

Intersetorialidade em ação

Hospitais municipais interessados em promover a Classe Escolar devem entrar em contato com o Instituto Helena Antipoff, da Secretaria Municipal de Educação, responsável pela Educação Especial no município do Rio de Janeiro. “O Instituto Helena Antipoff dá toda orientação para a unidade de saúde providenciar a documentação e os recursos necessários. No caso do Hospital Jesus, um decreto municipal formaliza a parceria permanente entre as duas secretarias, sem a necessidade de renovação de convênios a cada dois anos. Queremos estabelecer este modelo também no Hospital Souza Aguiar, para que a iniciativa não seja interrompida”, informa Karla.

Para viabilizar a iniciativa, o Hospital Souza Aguiar reformou uma sala especialmente para receber as turmas. “Equipamentos como ar condicionado, cadeiras especiais e tablets foram providenciados por meio de um convênio entre as secretarias municipais de Saúde e de Educação. Este é um resultado prático do que costumamos chamar de ‘intersetorialidade’”, afirma Dilma.

(Fonte: Elos da Saúde)

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