Investir na primeira infância é essencial para o desenvolvimento do Brasil

Livro apoiado pela fundação holandesa Bernard van Leer, referência mundial em primeira infância, analisa Programa Criança Feliz (PCF) e outras experiências no Brasil e na América Latina

Inúmeros estudos realizados em todo o mundo apontam para a importância de investir na primeira infância. Entre os principais motivos que justificam esse investimento está o grande desenvolvimento cerebral que ocorre nesse período, que vai do 0 aos 6 anos de idade. Uma das formas de ampliar as possibilidades de desenvolvimento na primeira infância que tem ganhado força em várias partes do mundo são as iniciativas de suporte à família. Mais especificamente, os programas de parentalidade, em que profissionais especializados buscam ajudar pais, tios, avós e outros cuidadores de referência na adoção de práticas positivas.

É sobre este tema que se debruça o novo livro apoiado pela fundação holandesa Bernard van Leer – referência mundial em primeira infância. Da ciência à prática – Os programas de apoio ao desenvolvimento infantil na América Latina faz um dos mais completos levantamentos sobre as formas de estímulo ao desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos.

Dividida em cinco capítulos, a publicação traz evidências científicas sobre a importância desse período na infância, um histórico da iniciativa no Brasil e no mundo, além de detalhes sobre a metodologia e o trabalho de programas que são paradigmas na América Latina, como Educa a Tu Hijo (Cuba), Chile Crece Contigo, Uruguay Crece Contigo e Cuna Más (Peru), e no Brasil (Pastoral da Criança, Primeira Infância Melhor (PIM), Mãe Coruja Pernambucana, Família que Acolhe, Padin, entre outros).

O destaque fica por conta do levantamento do programa Criança Feliz, no Brasil, um dos maiores do mundo. A iniciativa é o resultado do esforço e da articulação entre os setores sociais envolvidos com a proteção, o desenvolvimento e os direitos da primeira infância, e políticos que militam nesse campo. Marcado pela ação intersetorial da Assistência Social, da Saúde e da Educação, a iniciativa conta com a participação, em seu comitê gestor, de representantes dessas três áreas, além de Cultura e Direitos Humanos.

Segundo a Fundação Bernard van Leer, o programa brasileiro atraiu a atenção internacional por suas práticas inovadoras e pela velocidade com que foi escalado. Em julho de 2017, eram 69 municípios brasileiros atendidos, quase um ano depois, o PCF encontra-se presente em 2.692 cidades do país e contempla mais de 400 mil crianças e gestantes. Norte e Nordeste lideram o avanço.

O livro também aponta que o afeto e o estímulo dos pais / cuidadores são diretamente responsáveis por ganhos significativos na vida da criança, os quais refletirão na diminuição da evasão escolar e violência, no aumento do nível de educação, bem como na elevação da renda média do indivíduo em fase adulta.

As análises em relação aos programas implementados na América Latina, Estados Unidos e Europa corroboram a lógica de que a oferta de cuidados adequados a bebês e crianças pequenas ajuda a promover a saúde física e mental e seu bem-estar social em curto e longo prazos. Em outras palavras, programas de parentalidade — cujos resultados são evidenciados por pesquisas científicas — não podem ser objeto apenas de política de governo, mas de política de estado para qualquer nação em desenvolvimento.

Em 2017, o orçamento do Programa Criança Feliz foi de cerca de US$ 88 milhões (R$ 328,9 milhões). Em 2018, os recursos somaram por volta de US$ 143 milhões (R$ 530,8 milhões). Para 2019, houve um corte na verba destinada ao programa – o Projeto de Lei Orçamentaria Anual (PLOA) encaminhado ao Congresso Nacional foi de cerca de US$ 101 milhões (R$ 377 milhões). “Para garantir uma sociedade mais justa no futuro é de suma importância a manutenção de políticas voltadas para primeira infância”, ressalta Fernanda Vidigal, coordenadora de programas da fundação holandesa Bernard van Leer.

Ao orçamento destinado no desenvolvimento do programa, soma-se a capacitação técnica daqueles que irão trabalhar diretamente com as famílias beneficiadas. Em todos os estados brasileiros que se sobressaíram por suas boas práticas, o ponto de maior destaque foi o envolvimento dos profissionais com o programa. Embora de modo subjetivo, os coordenadores apontam o empenho e a motivação para o trabalho como diferenciais fundamentais para o bom andamento do Programa Criança Feliz.

Da ciência à prática
O livro reúne dados sobre a implementação do programa nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Ao todo, o levantamento incluiu 42 municípios de Norte a Sul do Brasil e mais de 300 entrevistas com beneficiados, gestores, profissionais desses programas no Brasil e também em outros países da América Latina (Chile, Uruguai, Peru, Cuba e Colômbia) e em Moçambique, além de especialistas nacionais e estrangeiros (Estados Unidos, Itália, Portugal e Espanha).

Treze estados, de todas as regiões do país, foram visitados in loco entre maio e junho de 2018 por uma equipe de Jornalistas Amigos da Criança (título concedido pela organização da sociedade civil ANDI, com o apoio do Unicef e outras instituições, aos profissionais que mais se destacaram na cobertura desse tema).

A equipe percorreu centenas de quilômetros no país inteiro para acompanhar de perto dezenas de visitas e entrevistar gestores, visitadores, supervisores, crianças, mães, pais, avós, entre outros. O resultado é um rico e diversificado painel da implementação do programa.

O livro também dedica um capítulo a um resumo com as dez principais lições aprendidas com o Criança Feliz e outros programas de parentalidade no Brasil e no exterior.

Ao apoiar esse tipo de publicação, a Fundação Bernard van Leer pretende inspirar iniciativas semelhantes que possam fazer a diferença na vida de milhares de crianças.

A Apresentação do livro é assinada por Leonardo Yánez, representante sênior da Fundação Bernard van Leer na América Latina. A publicação impressa será distribuída gratuitamente a gestores, especialistas e organismos nacionais e internacionais. Uma versão on-line estará disponível para download em https://bernardvanleer.org/pt-br/.

A produção editorial da publicação foi realizada pela Cross Content, empresa de comunicação especializada em projetos editoriais multiplataforma ligados a temas sociais.

Ficha técnica

Produção editorial: Cross Content

Supervisão e revisão geral: Fernanda Rezende Vidigal (Fundação Bernard van Leer)

Revisão técnica de programas internacionais:  Andrea Torres e Leonardo Yánez (Fundação Bernard van Leer)

Coordenação-geral: Andréia Peres e Marcelo Bauer

Edição: Andréia Peres, Carmen Nascimento, Lucas Bonanno e Maysa Provedello

Texto e reportagem: Aline Falco, Ana Flávia Flôres, Aureliano Biancarelli, Christina Velho, Daniela Arbex, Heloisa Brenha, Lilian Saback, Maria Lígia Pagenotto e Mauri König

Fotos: Ratão Diniz, Emiliano Capozoli, Marizilda Cruppe, Michell Mello e Rayssa Coe

Produção executiva: Patrícia Assis

Revisão: Luciane Gomide

Checagem: Luciana Sanches

Projeto gráfico: José Dionísio Filho e Marcela Cavalheiro

Infográficos e tabelas: José Dionísio Filho, Marcela Cavalheiro e Vitor Moreira Cirqueira

 

Mais informações:
Roberta Corbioli
Fidata Comunicação
(11) 97314-1005
roberta@fidata.com.br

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