RNPI promove oficina para jornalistas

A Rede Nacional Primeira Infância (RNPI), tendo como secretaria executiva a ANDI – Comunicação e Direitos, promoveu, em parceria com a UNESCO e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), uma oficina para jornalistas de todo o Brasil sobre a importância do Marco Legal da Primeira Infância. O evento aconteceu no dia 19 de março, em São Paulo, e contou com a participação de 50 pessoas entre jornalistas e comunicadores da RNPI.

Com programação extensa durante todo o dia, o encontro reuniu diversos especialistas em primeira infância. A primeira mesa discutiu “O que é a primeira infância, porque é prioridade, o que diz o marco legal” com a presença do pediatra Laurista Corrêa e o especialista em Educação, Vital Didonet.

Laurista Corrêa falou sobre a importância da primeira infância na promoção da saúde mental: “A primeira infância, do 0 aos 6 anos, é o período mais importante da nossa vida. Ao nascer, nosso cérebro possui poucas conexões e com 6 anos de idade há inúmeras conexões e sinapses feitas. O desenvolvimento cerebral não é linear, há períodos preciosos para se adquirir diferentes tipos de conhecimentos e habilidades. Existe influência da vida intrauterina, da experiência do nascimento e dos primeiros dias de vida extrauterina”.

Vital Didonet ressaltou o Marco Legal da Primeira Infância no cenário das políticas públicas nacionais em que traz a criança cidadã, sujeito de direitos, capaz (competente), participante, com singularidade e diversidade. O foco do Marco Legal é enxergar mais e melhor as crianças de 0 a 6 anos, trabalhar intersetorialmente para o atendimento integral e promover a cultura do cuidado integral. “Somos frutos do cuidado integral. Cuidado não só físico, mas o cuidado do bem querer, do zelo pela pessoa. O conceito de cuidado é amplo, é o cuidado do nome, dos sonhos, dos amigos, do brincar, cuidado do ser integral que se relaciona com respeito ao outro. […] As etapas bem vividas são a preparação para as seguintes. A primeira infância é uma experiência fundamental que marca o futuro”.

Em seguida a mesa “Mídia e Primeira Infância” com Paula Perim, coordenadora de comunicação na Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) e Maria Carolina Trevisan, jornalista especializada na cobertura de direitos humanos, políticas públicas e democracia, instigou o debate. Jornalistas e demais convidados expuseram suas opiniões, tiraram dúvidas e fizeram ponderações sobre o que foi dito.

Paula apresentou ações da FMCSV na área da primeira infância, mostrou um trecho do filme “O Começo da Vida”, indicou para os jornalistas presentes o site do “Guia Primeira Infância em Pauta” e sugeriu que ao cobrir o desenvolvimento na primeira infância não assumamos que o nosso interlocutor sabe do que estamos falando: “Simplifique o discurso, aprofunde a informação, cuidado para não ser determinista”.

Carol Trevisan trouxe para o debate exemplos de matérias jornalísticas para embasar a cobertura de alta qualidade ao informar a sociedade, mostrar situações esquecidas e colocar na agenda pública a temática da infância. Lembrou também sobre a cobertura de alta qualidade ao trazer fontes plurais, contexto, histórias de vida, legislações, dados… A interação com os jornalistas foi muito produtiva!

A tarde ficou por conta da mesa “Primeira Infância como estratégia de prevenção à violência” com a participação de Luzia Laffite, superintendente do Instituto Infância (IFAN); Pedro Hartung, coordenador do programa Prioridade Absoluta, do Instituto Alana; e Maitê Gauto, líder de políticas públicas da Fundação Abrinq.

Luzia trouxe o conceito de infância como uma categoria sócio-demográfica permanente, referente a um período de vida do ser humano. Enfatizou as diferentes infâncias, como rural, urbana, quilombola, cigana, indígena. E falou também sobre a violência, toda ação ou omissão praticada pelos pais, parentes, responsáveis/cuidadores contra crianças, capaz de causar um dano físico, psicológico, sexual implicando numa transgressão do poder/dever de proteção do adulto e/ou numa coisificação da infância.

Pedro recordou a importância do art. 227 da CF/88 como também do ECA que trazem a condição peculiar de desenvolvimento, a proteção integral, o melhor interesse da criança, a prioridade absoluta, a responsabilidade compartilhada e a rede de garantia dos direitos de crianças e adolescentes. “O olhar integral para a criança envolve também a família, que cuida dela. Cuidar da primeira infância, no fim, é cuidar de todos nós! Quando investimos nas crianças e nos adolescentes, investimos em nós mesmos”.

Maitê destacou a importância de contar histórias, contextualizar, entender a situação, trazer o contexto e os dados em matérias jornalísticas para que estas possam ajudar a pressionar o governo por políticas públicas adequadas. “A maneira como as histórias são contadas influenciam muito o resultado do nosso trabalho, como organizações da sociedade civil”.

Acesse as fotos do evento em: https://flic.kr/s/aHsm8EQDuj

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