Teresina tem 22 mil pessoas que têm deficiência auditiva
Em Teresina há 22 mil pessoas com deficiência auditiva e em todo o Estado só há 32 escolas para atender essa população
Em Teresina há 22 mil pessoas com deficiência auditiva e em todo o Estado só há 32 Escolas para atender essa população. As Escolas regulares que trabalham com a inclusão de alunos surdos não possuem a estrutura necessária e o resultado disso é o aumento da evasão Escolar.
Dia 26, quando foi comemorado o Dia Nacional do Surdo, representantes de Escolas e entidades realizaram um ato na Ponte Estaiada, justamente para chamar a atenção da sociedade para a garantia dos direitos daqueles que não podem ouvir.
Para os representantes das entidades, que dividem a mesma opinião, a Escola regular ainda não está preparada para a Educação especial. Para se ter uma ideia, em todo o Estado só há sete intérpretes contratados para atuar nas Escolas, com a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.
“Na verdade a acessibilidade não acontece. Tem muitos alunos que estão deixando a Escola regular porque não estão tendo nenhum rendimento. Eles necessitam da implantação de uma Escola bilíngue”, afirmou a coordenadora pedagógica da Apae, Glaucimar Sales.
Segundo ela, a Apae, com sede no bairro Cabral, atende a 90 surdos. “Com a política de inclusão, as Apaes deixaram de funcionar como Escolas e passaram a ser Centros de Atendimento Educacional Especializado. Defendemos que as Apaes voltem a funcionar como antes”, completou.
O evento de ontem foi proposto pela Escola Viva Integrada, uma instituição particular que atende 175 crianças especiais, sendo 22 surdas. “Um grupo deprofessores se propôs a realizar o evento em comemoração ao dia do surdo. Defendemos a expansão da linguagem dos surdos, bem como a garantia de seus direitos”, justificou a psicopedagoga Shirley Cardoso.
Durante o encontro aconteceram apresentações de balé e capoeira. Além disso, alunos surdos fizeram uma interpretação – em LIBRAS – do hino do Piauí. A coordenadora pedagógica do Senac, Ana Cristina de Assunção, informou que a instituição já oferece três cursos com foco em LIBRAS, escrita de sinais e metodologia da prática bilíngüe.
A ideia é trabalhar na capacitação de profissionais que atuam na Educação especial. Além disso, há dois alunos surdos participando do curso de operador de computadores, graças a presença do intérprete presente em sala de aula.
“Os cursos são voltados para a comunidade em geral e o objetivo é facilitar a comunicação com os surdos. Percebemos que falta ainda uma preocupação com a escrita dos surdos e nós estamos com um curso pioneiro no Estado”, disse. Ela acrescentou que no Piauí só há um surdo com curso superior.
“Ele se formou em letras libras fora do Estado e hoje dá aula por aqui. Ele é um exemplo para os demais”, complementa. A coordenadora cita ainda que a maioria dos surdos só tem o ensino fundamental, pois acabam deixando a Escola antes de chegar ao ensino médio.



