RNPI e ANDI realizam evento para debater visibilidade da infância na mídia

A centralidade dos meios de comunicação convencionais e digitais na sociedade contemporânea tem colocado inúmeros desafios para a promoção e defesa dos direitos das crianças na primeira infância.

Entre outros temas, destacam-se o uso da imagem, o estímulo ao consumismo e a qualificação da cobertura noticiosa sobre as políticas públicas voltadas à população de 0 a 6 anos.

A Rede Nacional Primeira Infância – RNPI e a ANDI – Comunicação e Direitos promoveram, no dia 13 de agosto, o webinário Representação e Visibilidade da Criança de 0 a 6 anos nos Meios de Comunicação, com o objetivo é debater sobre os riscos e oportunidades que compõem a interface da comunicação com a agenda da primeira infância.

O evento integrou a programação do Mês da Primeira Infância, iniciativa da Secretaria Nacional de Atenção à Primeira Infância do Ministério da Cidadania, com patrocínio das Nações Unidas Brasil e Joint SDG Fund.

Na abertura do evento, a Diretora Executiva da ANDI – Comunicação e Direitos e Coordenadora da Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância – RNPI, Miriam Pragita, falou sobre a importância de ampliar o debate sobre a interface entre a primeira infância e a comunicação.

“Temos visto, nos últimos tempos, com a proliferação dos smartphones e com o aumento do acesso à internet, como as famílias e as crianças estão mais expostas à publicidade e ao consumo nas telas. Logo, a RNPI considera fundamental fazer um debate sobre o cuidado e proteção à exposição precoce das crianças; como também analisar sobre os instrumentos de proteção e regulação”, explicou Miriam Pragita e completou:

“Outro debate relevante trata sobre o modo como a imprensa vem representando e dando voz às crianças. E sobre esse tema a ANDI Comunicação e Direitos vem produzindo estudos e análises para apoiar jornalistas em uma cobertura mais cuidadosa em relação às crianças”.

Agenda Pública e Primeira Infância:  limitações da cobertura realizada pela mídia brasileira

Como a mídia tem retratado a primeira infância no Brasil? Quais os avanços e os limites dessa cobertura? E qual o papel da imprensa brasileira para a formação de uma cultura de proteção à criança na faixa de 0 a 6 anos?

Essas são algumas das questões que foram abordadas pela pesquisadora Diana Barbosa, coordenadora técnica do Observatório do Marco Legal da Primeira Infância – Observa, na apresentação “Agenda pública e primeira infância: uma análise dos principais méritos e limitações da cobertura realizada pela mídia brasileira”, que fez parte da programação do webinário Representação e Visibilidade da Criança de 0 a 6 anos nos Meios de Comunicação.

A análise de Diana Barbosa se baseou nos dados da pesquisa Primeira Infância na Mídia, que parte de uma abordagem quanti-qualitativa para monitorar a cobertura de 35 veículos noticiosos brasileiros, impressos e online, ao longo de 2018 e 2019.

Além disso, analisa mais de três mil matérias, mostrando que a cobertura sobre a primeira infância se concentra em três temas principais: saúde, violência e educação infantil.

“O estudo tem como objetivos a construção de conhecimento sobre o campo jornalístico e, principalmente, incidir sobre o próprio cotidiano das redações, tendo a qualidade da informação e a garantia de direitos das crianças como princípios básicos”, explica Barbosa e completa:

“Por meio dos resultados apresentados a seguir, esperamos apoiar de forma efetiva o trabalho de repórteres e editores na produção de um noticiário abrangente sobre as temáticas correlatas à primeira infância. Ao mesmo tempo, nosso objetivo é que o estudo também se mostre útil às fontes de informação desses jornalistas, segundo uma perspectiva de corresponsabilidade no processo de construção das informações de interesse público”.

A interface entre comunicação e primeira infância também foi assunto de outro painel do webinário Representação e Visibilidade.

Com o tema “Estratégias para fortalecer a participação das crianças no processo de construção de notícias”, Juliana Doretto, professora da PUC de Campinas e cofundadora da Rede de Pesquisa em Comunicação, Infâncias e Adolescências (RECRIA), mostrou como o jornalismo brasileiro tende a incluir pouco as vozes das crianças (e dos adolescentes) em suas pautas.

“As formações universitárias não costumam preparar seus estudantes para as entrevistas com crianças, e o tempo acelerado da produção das notícias também contribui para que esses indivíduos sejam excluídos de várias reportagens. No entanto, ter um espaço de fala na sociedade é também um direito das crianças. E isso incluí o espaço da mídia”, afirmou a professora.

Consumismo e primeira infância

Quais os efeitos da mega-exposição da criança às estratégias de publicidade comercial dirigida à infância e veiculada pela mídia?

Pesquisa do site Criança e Consumo monitorou, entre janeiro e dezembro de 2020, os quatro canais infantis de tv por assinatura de maior audiência no Brasil. O estudo aponta que houve um aumento de 282% na quantidade de publicidade infantil, o que corresponde a um anúncio veiculado a cada quatro minutos de programação.

Segundo a psicoterapeuta Ana Olmos, a publicidade dirigida à criança através da televisão e de outros meios digitais tem um papel vital na formação de conceitos, valores e atitudes voltados para o consumismo.

“Desde cedo, portanto, a criança fica exposta à violência de ser tratada como público-alvo consumidor e não como cidadã em formação, com direito a cumprir todas as etapas de seu desenvolvimento”, explica a especialista.

Ana Olmos foi a convidada da RNPI para o painel temático “Consumismo e primeira infância: os desafios colocados pela comunicação comercial nos meios convencionais e digitais”.

A análise de Olmos também integrou a programação do webinário Representação e Visibilidade da Criança de 0 a 6 anos nos Meios de Comunicação.

Todas as apresentações do webinário estão disponíveis no canal do Youtube da ANDI Comunicação e Direitos, acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=I8_Y9newHDg

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