RNPI dialóga sobre gênero e diversidade

Na noite do dia 13 de julho de 2022, ocorreu a segunda live da Série “Momentos Formativos” da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI). Estavam a frente dos diálogos a Sra. Cida Feire que está Coordenadora da Secretaria-Executiva da RNPI e a Sra. Solidade Menezes enquanto Coordenadora Adjunta da RNPI e Coordenadora da Rede Estadual Primeira Infância (REPI-PE). O convidado desta live foi o Sr. Flávio Debique da Plan International Brasil e a convidada a Sra. Rita da Silva, Diretora Executiva da Usina de Imaginação, ambos dialogaram sobre “Primeira Infância: Gênero e Diversidades”.

As Coordenadoras colocaram que é somente no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que a Primeira Infância ficou mais visível em nosso país. No entanto, a caminhada ainda é longa para que todas as crianças brasileiras tenham acesso ao que a Lei garante para seu pleno desenvolvimento enquanto cidadãos/ã de direito. Assim destacaram que esta conversa tem o objetivo de proporcionar reflexões e a explanação de experiências.

O Sr. Flávio Debique expôs que a temática ainda sobre muito preconceito e fortes ataques. Assim iniciou sua fala com uma provocação: Por que falar de gênero com crianças tão pequenas? Essa pergunta mexe muitos com as pessoas adultas, que consideram inadequado tratar desse tema com pessoas em formação ainda. Então ele reforçou que, o que falta é conhecimento das pessoas adultas sobre as questões de gênero e diversidade. Então relatou que a entidade preparou material para esclarecer a comunidade escolar e a sociedade civil em geral, pois assunta o número de mulheres, principalmente meninas que são estupradas no Brasil, ou seja, uma (01) a cada dez (10) minutos. Ele reforça que isso é uma questão cultural, que o machismo como um repertório cultural coloca a figura feminina com um ser inferiores, bem como são tratadas sem respeito, quanto na verdade todas as pessoas possuem os mesmos direitos diante de suas especificidades. Ele colocou que quanto mais cedo as crianças conhecem a realidade e toda a diversidade presente na sociedade, com mais facilidade os repertórios culturais discriminatórios e violentos podem ser modificados. Esse conhecimento auxilia na construção de identidades pacíficas e humanizadas e não sexista. Então cabe a sociedade, a família e ao Estado fazerem a sua parte, pois os meninos precisam aprender a cuidar e as meninas precisam saber que o lugar delas é onde ela desejarem. Essas dimensões refletem durante toda a vida e discutir gênero não destrói famílias, pelo contrário, tornam as pessoas felizes.

A Sra. Rita da Silva iniciou sua fala colocando que é preciso descolonizar o olhar para visualizar o que é individual ou coletivo, principalmente quando se trata de direitos jurídicos. Ela trouxe também as questões de gêneros nos povos originários, que as mulheres expressão que as defesas delas não é o feminismo é questão de mulher guerreira. Assim é perceptível que a humanidade como um todo, em cada localidade vem debatendo a temática, mas dentro de suas peculiaridades. Outro ponto trazido pela convidada foi que a natureza e a cultura. Assim ela discorreu que a civilização ocidental faz uma separação entre a cultura e a natureza, bem como da humanidade com o meio natural, porém os povos orientais e os nativos não fazem esta separação. Essas perspectivas acabam interferindo na concepção e na construção do corpo e isso reflete nos convívios comunitários e as regras estabelecidas. Essas reflexões foram trazidas a partir de estudos antropológicos e culturas. Assim trouxe que hoje já se compreende que as crianças fazem e mudam cultura e por isso dialogar desde muito cedo sobre as questões de gênero mediante as múltiplas experiências fará que as culturas sejam qualificadas, justas e sem exploração para acolher a cultura do outro. Findou sua fala colocando que as crianças não serão elas já são seres de direito, bem como agentes de ação e posicionamento, pois a cultura é o carinho!

As coordenadoras destacaram que os adultos precisam observar mais e realmente ouvir as crianças. Outro ponto trazido foi que às crianças devem ser oportunizadas as vivências das artes e suas diversas linguagens diante da diversidade cultural presente no Brasil. Ressaltaram também que a tradição é o resultado da cultura e esta pode e deve ser alterada quando não dialoga mais com o contemporâneo, quando fere direitos, quando desrespeita a humanidade.

Foi uma live de extrema relevância para honrarmos nossa ancestralidade, os povos originários e futura hoje uma cultura justa para todos e todas!

A live está disponível no link (clique aqui).

Fonte: NUJOR UNCME-PE /RNPI

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