A defesa do direito ao brincar em todos os tempos e espaços da infância

Artigo Por Sheila Pomilho e Danielle de Bairro, da Rede Marista de Solidariedade

Ao promover e defender o Direito ao Brincar na educação de crianças, contribuímos para o fortalecimento das práticas pedagógicas desenvolvidas por gestores e educadores brasileiros, e na qualificação das políticas públicas para as infâncias. Estas práticas, apoiadas por legislações e documentos oficiais, norteiam as ações em espaços destinados à educação e a convivência familiar e comunitária.

 Com este propósito, há projetos que ressaltam a importância do brincar para o desenvolvimento infantil e a necessidade dessa experiência lúdica como parte de uma educação de qualidade. Um deles é o Projeto Brincadiquê? Pelo Direito ao Brincar, da Rede Marista de Solidariedadeque acaba de lançar uma série de vídeos com o objetivo de trazer reflexões acerca do Direito ao Brincar, considerando a ludicidade nos espaços internos e externos das escolas, a cultura local e o envolvimento da comunidade educativa.

O material visa sensibilizar o olhar do educador, e dos adultos de maneira geral, para este tema, tendo em vista a formação da criança como sujeito de direitos. Essa premissa se baseia no artigo 13 da “Convenção sobre os Direitos da Criança” (ONU, 1989), que defende o direito à liberdade de expressão de todas as crianças, sendo o brincar sua linguagem essencial, pela qual se expressam, manifestam seus desejos e interagem com o mundo.

O documento “Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil” (MEC, 2009), aponta as interações e brincadeiras como eixos norteadores para a Educação Infantil. O adulto deve se envolver com o brincar participando ativamente das atividades lúdicas, fazendo uso da escuta e do olhar sensível para criar novas situações que despertem a interação das crianças com os mais variados espaços.

O brincar não tem o papel de levar respostas para os conteúdos, mas deve ser garantido como uma linguagem que provoca relações, criações, desafios, lazer e experimentações. Trata-se, portanto, de uma linguagem que propicia descobertas. Não é uma metodologia educativa pronta que precisa ser seguida à risca, com um conteúdo a ser ministrado, mas que possibilita experiências e incentiva o desenvolvimento na primeira infância. Ao brincar, a criança vivencia as múltiplas linguagens humanas, entregando-se por inteiro ao momento lúdico, vivendo sensações, emoções e conflitos, relacionando o real com o imaginário, tornando-se um indivíduo que vive intensamente suas descobertas.

As brincadeiras e os brinquedos revelam aos educadores como as crianças brincam ao exercitarem os papeis dos adultos, trazendo consigo a reprodução de sua função social. Isto é, as crianças imitam, produzem e se apropriam das experiências que vivem no cotidiano da escola e dos espaços que os recebe. Por isso é importante considerar a cultura local, gerando a relação de pertencimento da criança com o espaço, com a comunidade e com seus pares. Traz também a reflexão sobre a composição das brincadeiras e a produção lúdica, utilizando elementos da natureza e materiais de largo alcance, de fácil utilização e de baixo custo. Com isso, as brincadeiras nas escolas se revelam também como linguagem social das crianças na produção da cultura infantil.

Sheila Pomilho e Danielle de Bairro são pedagogas da Rede Marista de Solidariedade (www.solmarista.org.br)

 

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