Cuidados masculinos voltados para a saúde sexual, a reprodução e a paternidade é tema de evento, no Rio de Janeiro

jornada_paternidade_materiaAconteceu na última semana de agosto, em comemoração ao Mês dos Pais, a Jornada sobre Paternidade – Os cuidados masculinos voltados para a saúde sexual, a reprodução e a paternidade a partir da perspectiva relacional de gênero. Organizado pelo Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o evento teve como objetivo ressaltar questões relacionadas à paternidade e abordar a importância de políticas públicas que favoreçam a cultura do cuidado entre os homens. “Eu acho que um dos grandes desafios para a promoção da paternidade é compreender o cuidado não como um atributo “natural” relacionado às mulheres, mas buscar educar meninas e meninos para serem cuidadores. Percebemos que as mulheres estão muito mais envolvidas no cuidado, devido às normas culturais, mas isso não quer dizer que os homens sejam incapazes ou incapacitados para cuidar”, disse Marcos Nascimento, docente do Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do IFF.

Maria Auxiliadora Gomes, vice-diretora de Ensino do Instituto, enfatizou a importância de temas como esse nas pautas das instituições. “É muito bom iniciar a semana com esse tema que está inserido nas políticas públicas do país, e em particular nas políticas de saúde. Hoje estaremos falando muito especificamente sobre ações, políticas e iniciativas que vão, conceitualmente, em uma perspectiva de gênero, construindo os referenciais para a promoção e valorização da paternidade”. Romeu Gomes, pesquisador titular do Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do IFF, publicou recentemente uma pesquisa sobre os cuidados masculinos voltados para a saúde sexual, a reprodução e a paternidade a partir da perspectiva relacional de gênero, tema que inspirou o evento, e iniciou o debate falando sobre a importância de pesquisas em torno da paternidade. “As questões que surgem a partir de pesquisas como a que realizei, servem de norte, pois não possuem respostas. Elas irão guiar futuras discussões que faremos em torno desse assunto”, explicou ele.

Viviane Manso Castello Branco, médica e consultora de saúde da MultiRio/PCRJ, falou sobre o mês de valorização do cuidado paterno na agenda da Prefeitura do Rio de Janeiro, e sobre atitudes que podem ser realizadas para incentivar a paternidade e o ‘cuidar’ no homem e frisou a invisibilidade dos homens nos serviços de saúde. “Muitas vezes os pais estão presentes, mas o serviço não os vê e acaba por excluí-los”, afirmou ela. Jorge Lyra, professor do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), reforçou a observação de Viviane e enfatizou a questão da exclusão do homem em todos os setores. “O homem só é incluso negativamente nas pesquisas, como sendo o agressor, em casos de violência de gênero e o desertor no caso da paternidade. Precisamos olhar mais positivamente para o homem e desestigmatizá-lo”, completou ele.

Marcos Nascimento finalizou a jornada salientando a ideia de que homens como cuidadores ainda é um grande desafio para a promoção da paternidade. “Precisamos estar continuamente atentos para não reforçar preconceitos e estereótipos por meio dos nossos atos e palavras. Para construirmos uma sociedade mais justa, é preciso romper com padrões culturais que estão fortemente presentes na linguagem comum e nas práticas cotidianas e que influenciam as relações pessoais, o funcionamento e a organização das instituições”, finalizou.

(Informações: Juliana Xavier, do Instituto Fernandes Figueira)

 

 

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