Especialistas reúnem-se em Brasília para discutir integração entre Cultura e Educação Infantil

mesa abertura
Claudius Ceccon, da Secretaria Executiva da RNPI, Juana Nunes, do MinC, e Clarice Cardell, do GT Cultura

Nos dias 03 e 04 de setembro de 2015 o Museu da República, em Brasília (DF) recebeu o I Encontro Nacional Cultura e Primeira Infância, organizado pelo Grupo de Trabalho de Cultura da Rede Nacional pela Primeira Infância (RNPI), em parceria com os Ministérios da Cultura e da Educação. Durante o evento, os participantes redigiram um documento com intenções e propostas para a área da cultura na educação infantil, e o MinC formalizou a entrada na RNPI. (Clique aqui para conferir o álbum de fotos do Encontro)

Ao longo dos dois dias, representantes do poder público, da sociedade civil e pesquisadores de universidades organizaram-se para debater iniciativas pioneiras, nacionais e internacionais, que visam colaborar com a construção de políticas culturais para a primeira infância no Brasil.

O evento contou com abertura de Claudius Ceccon (Coordenador da secretaria executiva da RNPI), Clarice Cardell (coordenadora do GT Cultura da RNPI) e Juana Nunes Pereira (Ministério da Cultura), que reiterou o interesse do MinC em aproximar seus debates ao campo da Educação: “Cultura e Educação andam de mãos dadas, só com a integração dos dois campos poderemos garantir aos brasileiros o pleno exercício da condição humana”.

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Ao longo do primeiro dia, especialistas das áreas da educação e cultura compartilharam suas experiências e alimentaram o debate sobre a inserção da cultura no contexto da educação infantil.

A primeira mesa – que contou com participação de Maria Carmen Barbosa (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Ordália Almeida (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul) e Carlos Laredo (da companhia teatral La Casa Incierta) – propôs uma reflexão sobre o lugar da arte e da cultura no currículo da Educação Infantil. Para os especialistas, é primordal o entendimento de que cultura não é disciplina, mas a vida em si. Maria Carmem atentou para a questão corporal como uma das linguagens e expressões essenciais à realidade da Educação Infantil: “O corpo da criança exige movimento. As instituições estão contemplando essa necessidade?”.

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Clarice Cardell, Ana Claudia, do Instituto Alana, Suzana Soares, da Aliança para a Infância, Renata Meirelles, do Território do Brincar, e Luiz André, do grupo Sobrevento

O olhar à formação de professores surgiu como questão central e urgente: “É necessário entender quem são os profissionais que estão atuando junto às crianças e garantir um entorno sensível, que reconheça e valorize os gestos e linguagens infantis” afirmou Ordália Almeida, que complementou: “O currículo na educação infantil deve ser uma articulação das experiências e saberes das crianças com os diferentes campos do conhecimento”.

Para Carlos Laredo (La Casa Incierta) é na cultura que mora a resposta para a crise da educação: “A cultura é a resposta, pois só ela nos dá a possibilidade de abertura a todas as linguagens existentes e à ressignificação de conceitos e práticas já engessados”.

Os pesquisadores da área da Infância Renata Meirelles (Território do Brincar), Luiz André CherubinI (Grupo Sobrevento) e Suzana Soares (Aliança pela Infância) compartilharam suas experiências de pesquisa e prática com o grupo. Todos atentaram para a necessidade do adulto reconhecer as potencialidades da criança e considerá-la como protagonista da discussão sobre a integração cultura-educação.

Gandhy Piorsky, pesquisador das práticas da criança, também compartilhou sua pesquisa e foi assertivo: “Se não olharmos para a formação de professores, não será possível a integração entre os campos da educação e cultura”. Agnes Desfosses finalizou o dia trazendo a experiência do Festival Premiéres Rencontres, realizado com crianças da periferia de Paris.

Grupos de Trabalho

GT sobre Formação reúne especialistas

No segundo dia, os participantes se dividiram em subgrupos para tratar dos seguintes temas:

  • Como a Cultura e a Arte se inserem na Educação Infantil?
  • A Arte e a Cultura instrumentalizadas para fins pedagógicos ou como encontro com a experiência estética?
  • Quais as propostas de formação em Artes para os professores da Educação Infantil e para os artistas, no campo da Primeira Infância?
  • Como fomentar o encontro do artista com as crianças no contexto da Educação Infantil?
  • O espaço físico da creche e pré-escola é adequado para a Arte e a Cultura?
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GT debate os espaços para cultura nas creches

A discussão foi enriquecida com a participação de especialistas, pesquisadores e artistas, vindos de diferentes pontos do Brasil, para contribuírem com seus conhecimentos, experiências e práticas, agregando às discussões uma diversidade de saberes.

No segundo dia, os presentes elaboraram um documento que organizou as discussões prioritárias do Encontro e que visa abrir caminhos políticos para o diálogo com diferentes instâncias, entre elas os Ministérios da Educação e da Cultura.
O encontro também marcou a entrada no MinC na RNPI e representou um importante espaço para pensar ambientes em que crianças possam crescer e se desenvolver de forma plena e saudável.

Crianças participam de apresentação da cia. La Casa Incierta
Crianças participam de apresentação da cia. La Casa Incierta

A companhia de teatro La Casa Incierta encerrou o Encontro com apresentações para bebês e crianças em torno de três anos e deixou, mais viva do que nunca, a certeza de que pensar a Cultura e as artes nas instituições de educação infantil é urgente e deve ser visto como prioridade no âmbito das políticas públicas.

(Fotos e informações: GT de Cultura da RNPI)

4 comentários para “Especialistas reúnem-se em Brasília para discutir integração entre Cultura e Educação Infantil

  1. Muito bacana essa iniciativa, mas acredito que seja fundamental também dialogar com os movimentos da Base. Abraços

  2. Muito bacana essa inciativa!! Mas sempre me pergunto: é necessário entender quem são os profissionais ou empoderar esses profissionais? Para mim, existe uma questão urgente no país que é ouvir, de verdade, os movimentos da Base. Não só através de pesquisas diretas nas escolas – que têm muita importância, é claro. Mas “dar voz” aos professores que estão trabalhando nas escolas indígenas, rurais, nas grandes cidades….refletindo

  3. A iniciativa é plausível, no entanto acredito que as discussões sobre cultura e educação no âmbito da infância l, não deve se restringir apenas aos aspectos dos estudos e ensino da arte na escola, mas na inter-relação dos saberes locais e formais, para a valorização e fortalecimento das culturas e identidades.

  4. Por favor, eu estive presente no encontro e participei do grupo de trabalho responsável pela questão Quais as propostas de formação em Artes para os professores da Educação Infantil e para os artistas, no campo da Primeira Infância?. Gostaria de saber se o documento finalizado e também gostaria de receber uma cópia do que documento que construimos. Também gostaria de receber as outras fotos que foram tiradas e se é possível um atestado de participação no encontro. Atenciosamente Susana

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