III Seminário Paternidades e Primeira Infância discute os avanços e desafios do cuidar

Foto: Aldeias Infantis SOS Brasil

Nos dias 01 e 02 de Setembro, em São Paulo, a Rede Nacional Primeira Infância, através do GT Homens pela Primeira Infância, realizou o III Seminário Nacional Paternidades e a Primeira Infância. A proposta do encontro foi a de trazer visibilidade para a diversidade de experiências de paternidades possíveis. Além disso, o evento também contou com o lançamento do documentário “O Poder do Cuidar”, realizado pela Aldeias Infantis SOS Brasil.

A primeira mesa do encontro discutiu as políticas públicas de apoio ao cuidado paterno e deu início com um panorama histórico em relação à construção da paternidade e da maternidade trazido por Cisele Ortiz, do Instituto Avisa-Lá. A mesa também discutiu o Marco Legal da Primeira Infância, a formação de profissionais, principalmente da educação, da saúde e da comunicação, que fossem sensíveis (e sensibilizados) ao assunto. Conhecemos também o caso da Natura, empresa que garante 40 dias de licença paternidade para seus funcionários.

Na mesa seguinte, sobre Paternidades Diversas, Markinhus (Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua) trouxe uma perspectiva de classe e colocou em pauta a questão das crianças e famílias que têm pais encarcerados e o quanto a dinâmica familiar é impactada por isso. Fábio Paranhos, do Projeto Acolher, também trouxe a sua história: pai, LGBT e solteiro que decidiu adotar uma criança há 20 anos atrás.

O segundo dia do seminário foi dedicado às rodas de conversa. Na primeira roda, a discussão sobre amamentação e alimentação saudável trouxe à tona a questão: seria a amamentação  um processo natural ou cultural? Seja qual for a resposta, há um consenso sobre como a experiência de aleitamento é essencialmente afetiva, e traz benefícios físicos e mentais para os bebês que perduram o resto de suas vidas. Também foi apontada a necessidade de fortalecer a cultura do aleitamento,  que por anos foi questionada por conta da indústria do leite em pó e o mito do “leite fraco”.

Foto: Aldeias Infantis SOS Brasil

Na segunda roda, a reflexão foi sobre educação para equidade de gênero. A partir de exemplos reais, Mariana Azevedo, do Instituto Papai, mostra que enquanto as meninas são estimuladas a brincarem com bonecas e outros brinquedos que simulam afazeres domésticos, os meninos se divertem com jogos que valorizam a lógica e a força física. Dessa maneira, cria-se uma  uma ideia ilusória de que as mulheres são naturalmente mais aptas aos cuidados dos filhos e do lar. Para ela, é fundamental que as crianças brinquem com brinquedos diferentes e possam explorar os diversos aspectos do seu ser, enquanto preparam elas para atividades que poderão exercer na vida adulta.

A última roda debateu a presença de homens na educação infantil e o movimento das creches parentais. Téo Cordeiro, da creche parental Casa de Parto David Capistrano-RJ, contou como apesar de ainda pouco conhecidas no Brasil, as creches parentais estão ganhando força pelo mundo. Além de proporcionar um tipo diferente do modelo tradicional de educação dentro da sala, ela é um estratégia para lidar com a crônica falta de vagas na educação infantil. Diferentemente do que se pensa, o cuidado coletivo não é  exclusividade para a elite, pelo contrário, ele nasce nas camadas mais pobres da população onde ainda hoje é muito viva.

Por fim, os autores Fábio Paranhos (Coragem de ser: Relatos de homens, pais e homossexuais), Jailson de Almeida  (O que é, o que é? Coisas sobre as coisas de A a Z) e Victor Farat (Bebegrafia) falaram um pouco sobre suas publicações, inspiradas pela experiência da paternidade.

Para encerrar o  III Seminário Nacional Paternidades e a Primeira Infância, a Banda Alana, formada por 40 músicos com idade entre 11 e 21 anos, fez uma apresentação musical cheia de energia que deixou a provocação: por que não fazer os próximos seminários em praças públicas?

Foto: Natália Cruz/ Alana

 

Reportagem: Willian Nunes e Natália Cruz, do Alana

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