Uma em cada três famílias adiaram a vacinação dos filhos durante a pandemia

 A realidade imposta pelo novo coronavírus e o distanciamento social alteraram drasticamente a rotina de toda a sociedade. Enquanto o mundo aguarda para que toda a população receba a vacina, o Brasil enfrenta, ainda, outro desafio: reverter a queda da cobertura vacinal que, no último ano, passou pela pior adesão da série histórica.

Apesar do Programa Nacional de Imunização (PNI) brasileiro ser uma referência mundial, a alta taxa de cobertura que sempre foi sua característica vem regredindo nos últimos anos. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no Brasil, na Bolívia, no Haiti e na Venezuela, a cobertura vacinal caiu em pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010.

Mas, em um período no qual se fala tanto sobre o assunto, como as famílias brasileiras estão lidando com o panorama atual? O quanto a pandemia influenciou o atraso na vacinação das crianças? Em busca de respostas, o IBOPE Inteligência, a pedido da Pfizer, realizou a pesquisa Impacto da pandemia nos lares brasileiros: Como as famílias estão lidando com a nova realidade.

O levantamento foi realizado em outubro a partir de 1.000 entrevistas online com mães e pais de todas as regiões do País e faz parte da campanha #MaisQueUmPalpite, iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Pfizer. De forma leve e bem-humorada, a campanha combate as fake news sobre a saúde das crianças com informações de qualidade e conscientiza as famílias sobre a importância da prevenção de doenças infectocontagiosas durante a infância.

COBERTURA VACINAL – A queda na cobertura vacinal durante a pandemia não é uma exclusividade brasileira: o fenômeno é mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como alarmante o declínio do número de crianças e adolescentes vacinados em todo o mundo e alertou para o risco de que sejam perdidas as conquistas de proteção vacinal desta parcela da população.

No Brasil, o levantamento realizado pelo IBOPE revelou que 29% dos pais adiaram a vacinação dos filhos após o surgimento da pandemia. Destes, 9% planejam levar os filhos para vacinar somente quando a pandemia acabar. As regiões Norte e Centro Oeste destacam-se pela média: 40% das famílias atrasaram a imunização. A pesquisa, que ouviu pais das classes A, B e C, aponta que os atrasos ocorreram em todos os estratos sociais.

Presidente do Departamento de Imunizações da SBP, dr. Renato Kfouri lembra que o atraso na vacinação das crianças pode desencadear cenários ainda mais preocupantes. “As informações coletadas pela pesquisa indicam que é necessário realizar um extenso trabalho de conscientização da população a respeito da necessidade de manter atualizada a carteirinha de vacinação das crianças, especialmente durante a pandemia do novo coronavírus”

CONSULTAS DE ROTINA – As consultas de rotina também ficaram em segundo plano. Entre as famílias entrevistadas, 44% deixaram de realizar o acompanhamento dos filhos com o pediatra e o valor chega a 50% entre os pais de crianças de 3 a 5 anos. Por outro lado, 15% das famílias viram a telemedicina como uma alternativa para não ficar sem acompanhamento médico durante a pandemia.

“Embora muito se fale sobre imunização neste momento, é importante que a população esteja sempre atenta para as vacinas requeridas na carteirinha. Apesar de simples, esse ato é capaz de salvar vidas. Quando não prevenidas, diversas enfermidades podem, juntas, levar a quadros de saúde graves e de difícil identificação”, afirma a diretora médica da Pfizer Brasil, Márjori Dulcine.

DESINFORMAÇÃO – Se as lacunas na orientação quanto à importância da vacinação neste momento confundem os pais, as dúvidas aumentam em relação à adoção de medidas preventivas de doenças que podem facilitar um possível diagnóstico de contágio pela covid-19.

Questionados se a vacinação contra gripe e doenças pneumocócicas ajudam no diagnóstico da covid-19, pois permitem descartar estas doenças, 29% disseram que não sabem e 31% dos pais acreditam, equivocadamente, que a informação é falsa. Além disso, 47% não souberam responder se existem vacinas para prevenir pneumonias bacterianas e outros 11% classificaram a informação como mito.

A pneumonia é uma doença respiratória provocada por bactérias, vírus ou fungos. Três a cada 10 casos diagnosticados estão associados à bactéria pneumococo. A OMS estima que as mortes por doenças pneumocócicas causem por ano mais de 800 mil mortes de menores de 5 anos, superando em até 8 vezes os 110 mil óbitos causados anualmente por sarampo na mesma faixa etária, em âmbito mundial, de acordo com levantamento realizado em 2017. O Brasil está entre os 15 países com maior incidência de infecções pelo pneumococo.

Fonte: SBP

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