15 de julho de 2013

90% dos acidentes domésticos podem ser evitados pelos pais

Durante as férias, é preciso redobrar a atenção; atitudes simples podem impedir machucados e quedas

O mês de julho é para muitas crianças o período mais aguardado do ano por ser sinônimo de férias, diversão e muita brincadeira. Exatamente por isso, os cuidados dos pais precisam ser redobrados, visando à segurança dos pequenos onde quer que estejam, pois os acidentes domésticos durante esta época do ano costumam aumentar e as consequências podem ser sérias.

Todos os anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde, em média, 125 mil crianças de até 14 anos são hospitalizadas em todo o Brasil em decorrência de diversos acidentes. Destas, 5 mil não resistem e, infelizmente, morrem.

De acordo com o Sistema de Vigilância de Violência e Acidentes do Ministério da Saúde (Viva), a maioria dos acidentes é causada por queimaduras, quedas e afogamentos, atingindo principalmente crianças entre 0 e 9 anos.

Entretanto, conforme a Organização Não-Governamental (ONG) Criança Segura, mesmo com esses números, há uma boa notícia e também um alerta: 90% dos acidentes podem ser evitados a partir de mudanças simples dentro e fora de casa. “O mais importante é a prevenção. As crianças estão de férias, mas os pais não estão, por isso é preciso buscar alternativas que deixem o ambiente doméstico seguro”, aconselha a coordenadora de mobilização da ONG Criança Segura, Lia Gonsales.

Ela acredita que é importante não negar à criança o direito de brincar, desde que a atividade seja supervisionada. “Hoje em dia, as famílias optam por morar em apartamentos, sendo assim, é essencial a presença de redes de proteção ou grades. O mesmo vale para quem mora em casa e tem piscina”, diz.

Precaução

Lia Gonsales destaca o afogamento como um dos mais sérios acidentes que podem vitimar uma criança, sobretudo no Nordeste, onde a diversão de muitas delas é passar o dia na piscina ou na praia, principalmente no mês de julho, onde o tempo é mais livre e elas costumam ocupá-lo com esse tipo de diversão.

Uma pesquisa, realizada pela ONG Criança Segura revela que o afogamento representa 28% dos óbitos por acidentes no País. O Ceará se posiciona em oitavo lugar no ranking dos Estados que possuem mais mortes de crianças e adolescentes por afogamento.

A coordenadora lembra que o afogamento também pode acontecer em pequenas quantidades de água: numa banheira ou bacia, por exemplo, onde os pequenos costumam de se banhar. “Uma criança que não tem domínio do corpo pode se afogar em até dois ou três dedos d´água”, alerta. De acordo com o major do Corpo de Bombeiros Valdiano da Luz, até março deste ano, quatro pessoas morreram por afogamento e outras 29 sobreviveram ao acidente, no Estado do Ceará.

“Se para um adulto as chances de morrer por afogamento são consideráveis, imagine para uma criança. Todo o cuidado é pouco e verificar se o ambiente de banho é seguro é primordial”, destaca.

Em Fortaleza, o Instituto Doutor José Frota (IJF) não possui registros oficiais do número de crianças que chegam vítimas de acidentes domésticos. Porém, conforme Francielze Lavor, coordenadora de Comissão de Prevenção e Atendimentos de maus-tratos contra crianças e adolescentes do IJF, a maioria das crianças que chega à emergência tem entre 0 e 7 anos e é vítima de quedas da própria altura ou de escadas. Além disso, as queimaduras também são responsáveis por fazer vítimas frequentes.

Papel dos pais

Os especialistas concordam em dois pontos específicos: a conscientização e a importância do papel dos pais na proteção à criança.

Conforme Lia Gonsales, proteger mais as crianças é também uma questão de mudança no comportamento das famílias, e quanto mais informação, melhor, pois só assim as atitudes de prevenção vão prevalecer sobre o número de acidentes.

“Às vezes, o adulto esquece que é um modelo para a criança. O filho vê quando o pai avança o sinal vermelho, por exemplo. Não cabe só ao poder público proteger, pois é algo que também começa em casa e isso só os pais podem proporcionar”, esclarece a coordenadora.

Conforme o major Valdiano da Luz, os pais são os melhores salva-vidas e devem não apenas fornecer as orientações de comportamento e segurança, mas também servir de exemplo para os filhos, que veem na família o exemplo.

LÍVIA LOPES
REPÓRTER

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

Cuidados para garantir a segurança

Com a chegada das férias, os acidentes domésticos envolvendo crianças ficam ainda mais frequentes. A maioria das ocorrências são relacionadas a quedas (principalmente de camas, cadeiras e mesas), móveis que viram em cima das crianças, choques em tomadas baixas e queimaduras.

Por isso, é importante que haja sempre alguém com as crianças, alguém para supervisionar o que elas estão fazendo e se estão sofrendo riscos. Algumas medidas podem ser tomadas para prevenir acidentes em casa, e os pais devem estar atentos ao que pode ser feito na residência para proporcionar o máximo de segurança à criança.

Uma das ações é colocar redes de proteção nas janelas e piscinas, nunca deixar os cabos das panelas voltados para fora, de um jeito que elas possam puxar, usar protetores nas tomadas e também nas quinas dos móveis.

É importante, ainda, encontrar atividades que possam distrair as crianças e afastá-las dos riscos. É recomendável não soltar a mão delas em lugares com muitas pessoas e não deixá-las sozinhas com estranhos. Na praia, é necessário ter cuidado com a exposição ao sol e jamais deixar que elas entrem sozinhas no mar.

Nilsemary Alencar Cruz
Pediatra

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