30 de setembro de 2025

Setembro amarelo: Comissão Temática Crianças com Saúde inicia mapeamento sobre saúde mental de crianças e cuidadores

Objetivo é construir um panorama dos principais desafios das organizações integrantes da RNPI acerca do tema para pensar possíveis articulações com o Ministério da Saúde

No Setembro Amarelo, mês de mobilização pela promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio, a Comissão Temática Crianças com Saúde da Rede Nacional Primeira Infância inicia uma pesquisa sobre os principais desafios e preocupações das organizações integrantes da Rede em relação à saúde mental de crianças e seus cuidadores. A ideia é construir um panorama que gere insumos para o plano de ação da comissão temática e para possíveis articulações com o Ministério da Saúde e com outras instituições que atuam na atenção à saúde mental.

O levantamento inicial parte de um questionário produzido coletivamente pela comissão, para ser respondido por todas as instituições e amigos da Rede, mesmo que não tenham foco de atuação diretamente relacionado à área da saúde. A pesquisa procura mapear como a atenção à saúde mental de crianças e cuidadores se situa no contexto e nas ações das organizações, abordando aspectos como vulnerabilidades psicossociais, deficiências e transtornos na infância, situações de violência e impactos do uso excessivos de telas. 

A psicanalista do CPPL Stéphanie Filgueira, uma das coordenadoras da CT Crianças com Saúde, explica que a atenção em saúde mental é um dos eixos centrais das discussões na comissão, com base na concepção da criança como um ser integral, que demanda atenção integrada.

“Olhar para saúde mental na primeira infância é direcionar o olhar para as redes de cuidado que se formam, ou não, em torno desses pequenos sujeitos, aqui situando redes de cuidado de forma mais ampla: família, escola, sociedade e Estado. As bases para a construção da saúde mental se dão nos primeiros anos de vida, por meio dos cuidados corporais, das relações afetivas e simbólicas com os adultos de referência e da diversidade das experiências em que as crianças estão inseridas. Pensar na saúde mental das crianças pressupõe pensar em um ambiente que cuide, acolha e se adapte às necessidades delas. Um ambiente favorecedor à vida, ao crescimento e ao desenvolvimento.”

Segundo Stéphanie, o resultado do mapeamento permitirá à comissão temática planejar ações específicas para responder algumas das demandas e inquietações levantadas pelo grupo, tanto em em trocas e construções junto ao Ministério da Saúde quanto em momentos formativos oferecidos à Rede.

“O crescente aumento dos dados referentes a transtornos e sofrimento psíquico na infância, a profusão de diagnósticos psiquiátricos, a exposição precoce a traumas desestruturantes, como situações de privações, negligências e violências, e as dificuldades na proteção e promoção de cuidados à criança, que demanda ‘uma apresentação do mundo em pequenas doses’, são questões que tem nos ocupado na CT Crianças com Saúde. Diante desse cenário, em nossas últimas reuniões, discutimos a possibilidade de mapear com nossos parceiros da RNPI os principais pontos de atenção em relação à saúde mental das crianças e seus cuidadores que surgem nos mais diversos campos de atuação da nossa Rede.”

Se você faz parte de alguma organização-membro da RNPI, contribua para a construção do panorama sobre os principais desafios relativos à saúde mental de crianças e seus cuidadores, respondendo o questionário.

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